Macacos viram workaholics com bloqueador genético

11 de agosto de 2004 • 17h36 • atualizado às 17h36

Macacos preguiçosos foram transformados em trabalhadores compulsivos por causa de um tratamento genético que bloqueou um importante composto cerebral, anunciaram hoje pesquisadores dos Estados Unidos. Ao impedir que as células recebessem dopamina, os cientistas fizeram com que os macacos se empenhassem mais em uma determinada tarefa e também que a cumprissem melhor.

Barry Richmond e seus colegas do Instituto Nacional de Saúde Mental usaram uma nova técnica genética para bloquear o gene D2. "O gene faz um receptor para um importante neurotransmissor, a dopamina", disse Richmond em um comunicado. A dopamina é o "código" que informa ao cérebro sobre recompensas, movimentos e várias outras funções importantes. "O desligamento do gene provocou uma notável transformação na ética de trabalho símia. Como muitos de nós, os macacos normalmente relaxam quando começam a trabalhar rumo a uma meta distante", acrescentou.

No estudo, Richmond e sua equipe usaram sete macacos rhesus. Eles tinham de puxar uma alavanca em resposta a elementos visuais que apareciam numa tela, e recebiam uma gota de água como recompensa. "Eles trabalham de forma mais eficiente - cometem menos erros - conforme ficam mais perto de serem recompensados. Mas sem o receptor de dopamina, eles permanecem consistentemente sobre a tarefa e cometem poucos erros, porque já não conseguiam aprender a usar os elementos visuais para prever quanto trabalho faltava para receber a recompensa."

Em artigo na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, Richmond e seus colegas disseram que estavam tentando descobrir como o gene D2 se relaciona com esse tipo de aprendizado. Tanto macacos quanto humanos são capazes de estimar, visualmente, quanto falta para uma tarefa ser concluída. Ambos também tendem a deixar tudo para última hora, justamente porque conseguem estimar o tempo de trabalho necessário. O geneticista molecular Edwards Ginns criou um agente que elimina a sensibilidade do DNA e induz as células cerebrais a desligarem os receptores do gene D2 - que são os "portões" moleculares usados pela dopamina para entrar nas células.

Embora alguns empregadores possam ter outro interesse no estudo, os pesquisadores disseram que sua intenção é estudar doenças mentais. "Neste caso, vale a pena notar que a capacidade de associar trabalho a recompensa é perturbada por desordens mentais como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo", disse Richmond. "Por exemplo, pessoas deprimidas freqüentemente acham que trabalhar não vale a pena por nada. As pessoas com distúrbio obsessivo-compulsivo trabalham incessantemente e, mesmo quando recompensadas, sentem que precisam repetir a tarefa. Na mania, as pessoas trabalham febrilmente por recompensas que não valeriam a pena para a maioria de nós."

Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »