Barry Richmond e seus colegas do Instituto Nacional de Saúde Mental usaram uma nova técnica genética para bloquear o gene D2. "O gene faz um receptor para um importante neurotransmissor, a dopamina", disse Richmond em um comunicado. A dopamina é o "código" que informa ao cérebro sobre recompensas, movimentos e várias outras funções importantes. "O desligamento do gene provocou uma notável transformação na ética de trabalho símia. Como muitos de nós, os macacos normalmente relaxam quando começam a trabalhar rumo a uma meta distante", acrescentou.
No estudo, Richmond e sua equipe usaram sete macacos rhesus. Eles tinham de puxar uma alavanca em resposta a elementos visuais que apareciam numa tela, e recebiam uma gota de água como recompensa. "Eles trabalham de forma mais eficiente - cometem menos erros - conforme ficam mais perto de serem recompensados. Mas sem o receptor de dopamina, eles permanecem consistentemente sobre a tarefa e cometem poucos erros, porque já não conseguiam aprender a usar os elementos visuais para prever quanto trabalho faltava para receber a recompensa."
Em artigo na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, Richmond e seus colegas disseram que estavam tentando descobrir como o gene D2 se relaciona com esse tipo de aprendizado. Tanto macacos quanto humanos são capazes de estimar, visualmente, quanto falta para uma tarefa ser concluída. Ambos também tendem a deixar tudo para última hora, justamente porque conseguem estimar o tempo de trabalho necessário. O geneticista molecular Edwards Ginns criou um agente que elimina a sensibilidade do DNA e induz as células cerebrais a desligarem os receptores do gene D2 - que são os "portões" moleculares usados pela dopamina para entrar nas células.
Embora alguns empregadores possam ter outro interesse no estudo, os pesquisadores disseram que sua intenção é estudar doenças mentais. "Neste caso, vale a pena notar que a capacidade de associar trabalho a recompensa é perturbada por desordens mentais como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo", disse Richmond. "Por exemplo, pessoas deprimidas freqüentemente acham que trabalhar não vale a pena por nada. As pessoas com distúrbio obsessivo-compulsivo trabalham incessantemente e, mesmo quando recompensadas, sentem que precisam repetir a tarefa. Na mania, as pessoas trabalham febrilmente por recompensas que não valeriam a pena para a maioria de nós."
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