Forma do plâncton pode ser uma causa das marés vermelhas

27 de fevereiro de 2009 • 09h02 • atualizado às 11h41
A imagem mostra uma maré vermelha tóxica em Northland, Nova Zelândia Foto: Getty Images
A imagem mostra uma maré vermelha tóxica em Northland, Nova Zelândia
27 de fevereiro de 2009
Foto: Getty Images

As áreas costeiras do oceano podem ser comparadas a uma sobremesa em múltiplas camadas de proporções gigantescas. Em lugar de serem homogêneas, elas compreendem múltiplos níveis de água, nutrientes e organismos.

Entre as camadas, há aquelas que contêm larga concentração de plâncton. São camadas que em geral ficam apenas alguns metros abaixo da superfície, com apenas alguns metros de espessura mas comprimento potencial da ordem dos quilômetros.

Elas servem como pontos quentes ecológicos, fornecendo alimentos a outras criaturas. Mas também podem servir de cenário a grandes florações de algas que causam marés vermelhas tóxicas.

Não se sabia ao certo como essas camadas de plâncton eram formadas. Agora, em estudo publicado pela revista Science, William Durham e Roman Stocker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e John Kessler, da Universidade do Arizona, demonstraram que o nado e a forma do plâncton influenciam essa formação.

Stocker, que estuda as consequências em larga escala da mobilidade do plâncton, diz que os organismos unicelulares tendem a nadar para cima durante o dia e para baixo de noite. Caso a água esteja imóvel, eles sobem e descem em linha reta.

Mas as correntes oceânicas criam camadas de água de movimento mais rápido e mais lento. No limite entre essas camadas, surgem forças que agem sobre o plâncton e o fazem nadar em diagonal ou, se fortes obstante, cair em parafuso. Stocker compara o processo a caminhar com um vento forte pelas costas, que faz com que você se incline até que uma rajada mais forte o faça cair.

Por não estar mais nadando para cima, o plâncton fica aprisionado nessa fronteira entre camadas; uma grande aglomeração de plâncton se forma lá. As espécies e locais de aprisionamento do plâncton dependem das forças da água e da morfologia do organismo, diz Stocker.

Ele acredita que a descoberta deva ajudar nos esforços de previsão de marés vermelhas.

"Isso encaminha os oceanógrafos à direção correta, no que tange aos fatores que precisam ser medidos para prever esse tipo de coisa", afirmou Stocker. "Eles precisam medir as forças de arrasto e determinar a morfologia das células".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
 
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