Pesquisa: abuso na infância pode aumentar tendência suicida

22 de fevereiro de 2009 • 18h09 • atualizado às 19h25

Os abusos contra crianças podem mudar a expressão de um gene essencial na resposta de cada ser humano às situações de estresse e que aumenta as tendências suicidas. Isso foi comprovado em uma pesquisa publicada neste domingo na revista Nature, liderada pelo professor do Instituto de Saúde Mental da Universidade McGill do Canadá, Michael Meaney.

Ele e outros pesquisadores estudaram as diferenças epigenéticas - condições ambientais que influenciam que um gene se manifeste ou não - entre os receptores glucocorticóides de 12 vítimas de um suicídio com antecedentes de abusos na infância e os de 12 suicidas sem esse histórico. "Pelo contrário, não detectamos diferenças na expressão do receptor glucocorticóide entre as diferentes vítimas de suicídio que não sofreram abusos quando eram crianças", explicam os autores deste estudo.

A descoberta transfere ao indivíduo os resultados obtidos em pesquisas anteriores com ratos, e indica que há um efeito comum entre o cuidado paterno e a regulação deste receptor, segundo a pesquisa na Nature. Concretamente, os suicidas com antecedentes de abusos na infância possuem níveis mais baixos de RNA-mensageiro (RNA-m).

Para os autores do estudo, as experiências vivenciadas na infância podem causar mudanças genéticas a longo prazo no gene responsável por responder às situações de estresse, os quais podem afetar a pessoa na idade adulta.

Estes resultados são também similares aos apresentados por outros estudos, que mostravam como o abuso na infância estava associado com um aumento do hormônio adrenocorticotrófico secretado pela glândula pituitária, responsável por regular o estresse.

EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »