Morre cientista que descobriu o código do DNA

29 de julho de 2004 • 13h02 • atualizado às 13h02
Francis Crick morrreu aos 88 anos Foto: AP
Francis Crick morrreu aos 88 anos
29 de julho de 2004
Foto: AP

O cientista que descobriu a dupla hélice, a estrutura do ácido desoxirribonucleico (DNA), Francis Crick, morreu ontem em San Diego (EUA) aos 88 anos de câncer de cólon. O anúncio da morte do estudioso, que estava no Thornton Hospital da Universidade da Califórnia em San Diego, foi feito hoje pelo instituto de ciência Salk.

O britânico Crick ganhou o prêmio Nobel por seus trabalhos na Universidade de Cambridge junto ao americano James Watson e o britânico Maurice Wilkins, para decifrar a estrutura do DNA. O resultado das pesquisas deu origem à genética moderna.

Em comunicado divulgado de seu escritório em Nova York, nos laboratórios Cold Spring Harbor, Watson disse: "Sempre me lembrarei de Francis por sua inteligência extraordinariamente centrada e pelas muitas atitudes em que me demonstrou sua bondade e impulsionou minha confiança em mim mesma".

O presidente do instituto Salk, Richard Murphy, afirmou, por sua vez, que Crick, que era professor emérito e também já presidira a instituição, "será lembrado como um dos cientistas mais brilhantes e influentes de todos os tempos".

Crick, então de 36 anos, e Watson, de 24, trabalhavam no Laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge em 1953 quando descobriram a dupla hélice, a estrutura molecular do DNA, uma descoberta que, na época, segundo Crick, apenas um pequeno grupo "pensou que poderia ser interessante".

Em artigo publicado na revista Nature em 25 de abril de 1953, Crick e Watson explicaram que o DNA tem uma complexa estrutura helicoidal que "sugere de imediato a possibilidade de um mecanismo de cópia para o material genético". Os cientistas descobriram então que a estrutura em dupla hélice do DNA resolvia perfeitamente a questão da replicação dos genes, anterior à divisão celular. Mas esse achado gerou polêmica, pois "se esqueceram" de citar a informação valiosa conseguida por uma cientista do King's College de Londres, Rosalind Franklin. Franklin foi quem, mediante técnicas de raios X, deduzira que as bases nitrogenadas que faziam parte da composição do ácido nucleico deviam estar em uma estrutura helicoidal, e inclusive tinha calculado vários parâmetros da hélice, como a distância e o período de repetição.

Com o tempo, a descoberta se revelou como a base da genética moderna e seu conhecimento é empregado em campos tão distintos como a investigação de crimes e a agricultura.

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