A última vez que se descobriu uma destas grandes massas de protoplasma foi há um ano no Chile, o que reviveu de novo a teoria da existência de uma espécie de lula de grandes dimensões que habita nas profundidades do mar. O achado, do tamanho de um ônibus, foi similar ao que aconteceu há mais de um século, em 1896, em uma praia da Flórida, e que também teve grande repercussão nos jornais da época.
Naquela época foram publicadas fotografias que mostravam as grotescas formas do suposto polvo, de umas sete toneladas, nas quais se viam os olhos, a boca e os gelatinosos tentáculos.
Além disso, um famoso biólogo batizou esta espécie de "Octopus giganteus", nome que foi utilizado posteriormente pela comunidade científica em cada uma das oportunidades que apareceram restos.
Desde então, o cinema e a literatura deram vida à possível existência desta espécie nunca vista, da terrível "lula" capaz de quebrar com um único golpe de seus tentáculos um navio de grandes dimensões.
Além disso, não faltaram expedições de cientistas dispostos a buscar nas profundezas do oceano algum exemplar desta espécie, à qual lhe atribuíam uma antigüidade quase pré-histórica.
Houve quem, em 1972, se atreveu a assegurar que os restos pertenciam ao corpo em decomposição de algum alienígena vindo do espaço.
A comunidade científica, com maior seriedade, tratou em todo este tempo determinar se realmente se trata de uma espécie de cefalópode, ou se trata-se de uma nova espécie não catalogada.
No entanto, graças às novas tecnologías e aos avanços na pesquisa genética, cientistas da Universidade do Sul da Flórida acabaram por decifrar o mistério, segundo publica hoje o jornal "The New York Times".
Com grande decepção para os amantes da literatura fantástica e dos mistérios do abismo submarino, os volumes gelatinosos e relativos que apareciam nas praias não são a outra coisa que gordura de baleias em decomposição.
"Para nossa decepção, não encontramos nenhuma evidência que os restos pertençam a qualquer octópode gigante, monstro marítimo ou espécie desconhecida", escreveram há algumas semanas os cientistas da Flórida no "Boletim Biológico", segundo publica o jornal.
Isso põe ponto final a décadas de especulações e de busca da rara espécie de polvo, do que não se conhecem exemplares maiores de seis metros de comprimento.
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