Pesquisa explica por que os magros não engordam

27 de janeiro de 2009 • 16h40 • atualizado às 16h44

Por que, por exemplo, algumas pessoas parecem estar sempre comendo de tudo e não engordam? E por que outros indivíduos vivem constantemente de dieta e não podem perder peso? Um estudo realizado por um programa chamado "Horizon" do canal de TV BBC recrutou 10 voluntários para tentar responder a estas perguntas.

As 10 pessoas, todos magros e que nunca haviam realizado nenhum tipo de dieta, passaram quatro semanas devorando todas as pizzas, batatas fritas, sorvetes e chocolate que tinham vontade.

Nenhum deles poderia fazer exercícios físicos e deveriam caminhar o mínimo possível.

Durante as quatro semanas do estudo, os voluntários deveriam duplicar a quantidade de calorias ingeridas diariamente, que eram, em média, de 3,5 mil para as mulheres e 5 mil para os homens. A experiência foi vigiada pelo médico pesquisador Rudy Leibel, da Universidade de Columbia, em Nova York.

Segundo o cientista, todos temos um peso natural, biologicamente determinado e o nosso corpo faz todo o tipo de esforços para manter-se nesse peso, sejamos magros ou gordos.

"O organismo constantemente tende a tentar que voltemos ao peso corporal normal que nos corresponde", afirma o especialista.

Leibel diz, entretanto, que outros fatores influenciam no peso de um indivíduo. "50% se deve a nossos genes e outros 50% provavelmente se devam ao meio."

Resistência à gula
A experiência foi mais fácil para uns voluntários do que para outros. Os acostumados a fazer exercícios físicos ou praticar esportes tiveram muitas dificuldades em limitar o esforço físico.

"Comer muito sempre foi fácil para mim. Estou acostumado a comer mais do que o normal quando estou me preparando para uma corrida", diz Thomas Patel-Campbell, um atleta que participou do estudo. "Fui um de apenas dois voluntários que não ficaram doentes durante a experiência. Mas o que foi mais difícil para mim foi limitar-me a 5 mil passos ao dia", completa.

O menu típico dos participantes consistia em sobremesas, batatas fritas, guisado gorduroso etc. Muitos dos participantes não conseguiram manter a dieta e todas as semanas vomitavam. Para dois dos voluntários foi impossível consumir a quantidade de calorias prevista por dia.

Depois de quatro semanas, os 10 voluntários haviam aumentado entre 3,5 e 5,5 kg. Dos dois que não conseguiram cumprir a cota, um engordou apenas meio quilo e o outro baixou de peso.

Esses resultados, segundo o cientista, demonstram os diferentes comportamentos que o corpo humano pode assumir quando enfrenta um excesso de calorias.

Gene associado à obesidade
A resposta poderia estar nos nossos genes. Especificamente no chamado gene FTO, o primeiro gene associado à obesidade.

Estudos no passado mostram que os adultos que têm uma variante desse gene pesam, em média, mais do que aqueles que não têm o FTO.

Além disso, o FTO pode influenciar no apetite porque as pessoas que têm esse gene não sabem quando o estômago está cheio. E as que não têm resistem mais facilmente à comida.

Dr. Leibel acredita que em algumas pessoas, como aquelas que não conseguiram cumprir sua cota de calorias diárias, o apetite quase não se altera, mesmo que queiram comer mais ou que sejam obrigados a fazê-lo.

"Temos que pensar que é uma espécie de termostato e que cada pessoa tem um ponto fixo marcado" explica o Dr. Liebel. "Quando o peso é reduzido abaixo deste ponto, o organismo vai lutar para recuperar o peso que perdeu", ele acrescenta.

E mesmo que o excesso de calorias possa resultar em muitas pessoas em um aumento de peso, a aparência delas não parece alterar-se.

Isto acontece porque, em vez de gordura, o peso aumenta pelo aumento da massa muscular a mediada que a taxa metabólica aumenta.

A Dr. Carel le Roux, outra especialista que supervisionou o estudo, afirma que esta é outra razão pela qual as pessoas não parecem ganhar peso apesar de comer muito. "Estudos têm demonstrado que esta tendência de aumentar a massa muscular e não a gordura quando comemos em excesso é determinada geneticamente", explica ela.

E assim, graças aos seus genes, quando a experiência terminou os voluntários foram capazes de retornar ao seu peso normal sem dificuldade e sem realização de dietas rigorosas ou regimes.

Terra Argentina
 
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