Pele de rã tem efeito cicatrizante, diz pesquisa

12 de janeiro de 2009 • 10h27 • atualizado às 10h36

Pesquisadores cariocas descobriram que o pó extraído da pele de rã pode cicatrizar queimaduras de terceiro grau. A substância - para uso tópico - tem um antibiótico natural e proporciona alívio quando é aplicada.

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A prática existe há três anos, mas ainda não havia nenhuma pesquisa científica que comprovasse a eficácia do tratamento. "Nós estamos compondo uma base científica para compreender os princípios ativos da pele da rã.

O resultado poderá ajudar milhares de pessoas com queimaduras e até mesmo os diabéticos", diz o professor e coordenador da pesquisa, José Seixas Filho, da Unisuam, em Bonsucesso.

O estudo teve início em outubro de 2008 e consiste em avaliar os resultados das aplicações do pó em 30 ratos wistar, espécie que apresenta DNA similar ao do ser humano em até 98%.

Apesar do pouco tempo de pesquisa, Seixas Filho diz que já é possível afirmar que a aplicação da pele da rã permite cicatrização bem mais rápida do que os tratamentos convencionais. A pesquisa faz parte da conclusão do mestrado de 35 estudantes que trabalham no criadouro da universidade.

Além da pele, a carne de rã, considerada uma das mais nutritivas, também é aproveitada para outro estudo com crianças com Erro Inato de Metabolismo.

"Nosso trabalho é aproveitar toda a rã, pois a pele, embora tóxica ao meio ambiente, tem uma solução benéfica aos homens. E a carne ajuda a curar alergias alimentares de crianças", explica um dos responsáveis pelo estudo, Januário Mourão.

Este mês, o Hospital Especializado de Ribeirão Preto, em São Paulo, fez a primeira cirurgia usando pele de rã. A paciente é uma jovem de 18 anos, que teve de 30% a 40% do braço queimado. O hospital recebeu doações de 150 peles do Instituto Nelson Piccolo para uso nos curativos.

Jararaca para combater câncer
As propriedades terapêuticas dos animais são freqüentemente pesquisadas. Ano passado, cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, realizaram estudos com toxina presente no veneno da cobra jararaca para tratar o melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele.

Os pesquisadores buscaram toxinas de venenos usadas para diminuir a proliferação de células tumorais. A pesquisa é baseada numa pequena modificação na estrutura da jararagina, toxina capaz de reconhecer parte da membrana da célula tumoral, bloqueando a metástase.

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