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Sábado, 10 de julho de 2004, 14h39

Satélite procura esclarecer mistérios do aquecimento global

Com duas bem-sucedidas missões nos confins do Sistema Solar, a Nasa voltou seus olhos para a Terra para esclarecer dois de seus mais inquietantes mistérios: o paulatino desaparecimento da camada de ozônio e o efeito estufa. Para isso, a agência espacial colocará amanhã em órbita o satélite Aura, cujo objetivo será estudar a relação entre a atmosfera terrestre e o clima, e confirmar uma esperada recuperação da camada de ozônio que protege o planeta da radiação solar ultravioleta. Essa radiação ultravioleta é um dos principais fatores do câncer de pele.

O satélite, de aproximadamente três toneladas, será lançado à órbita terrestre às 10h01 GMT (7h01 de Brasília) do domingo desde a base de Vandenberg (Califórnia), da Força Aérea dos EUA, a bordo do foguete Delta. Segundo a agência espacial Nasa, o "Aura" é parte do Sistema de Observação da Terra (EOS, sigla em inglês) criado para vigiar as complexas interações que influem no ambiente terrestre através de satélites e sistemas de dados.

Especificamente, a missão do satélite, que durará pelo menos seis anos, tem como objetivo determinar se há indícios de recuperação na camada de ozônio. Para isso deverá realizar uma estimativa dos níveis de ozônio, assim como dos contaminantes que contribuíram para sua diminuição, informou a Administração Nacional de Aeronáutica e do Espaço (Nasa).

A camada de ozônio se forma por efeito da radiação solar sobre os átomos de oxigênio na estratosfera, entre 20 e 40 quilômetros da superfície. Também medirá a qualidade do ar na troposfera, que é o nível mais baixo da atmosfera e o mais afetado pela atividade humana. Os gases naturais e os produzidos pelo homem, como os clorofluorocarbonos (CFC), se acumulam nessa parte da atmosfera e produzem compostos que podem destruir o ozônio.

Segundo a Nasa, a camada protetora de ozônio se reduziu em 3% entre 1980 e 2000. Esse diminuição foi mais intensa na região sul do planeta, nas proximidades da Antártida. Além do ozônio, o vapor d´ água nas camadas superiores da atmosfera é um importante fator que mantêm a temperatura global.

O satélite realizará um estudo dos níveis e distribuição de ambas as substâncias para permitir um melhor entendimento de sua influência na regulação do clima, disse a Nasa. Segundo alguns cientistas, a diminuição do ozônio, que se acelerou nas décadas de 1970 e 1980, diminuiu nos últimos anos como resultado, segundo se acredita, das medidas tomadas para reduzir a emissão de gases que provocam sua decomposição.

O satélite "realizará as primeiras observações da troposfera do espaço para esclarecer quais são os padrões e tendências que dão forma à 'saúde' da Terra", afirmou a Nasa. O Aura será o terceiro veículo espacial do Sistema de Observação da Terra da Nasa posto em órbita para estudar a atmosfera e o clima terrestres.

O satélite foi precedido pelo Terra, lançado em dezembro de 1999, e pelo Aqua, colocado em órbita em maio de 2002 para estudar o ciclo hidrológico do planeta. O Aura será seguido por outros três satélites que estarão na órbita terrestre até o final de 2006, segundo os planos da Nasa.

A missão do Aura começará no momento em que a Nasa desfrutar de dois sucessos paralelos da prospecção espacial. Seus dois veículos de prospecção de Marte, o Spirit e o Opportunity, continuaram seus trabalhos na superfície do planeta vermelho além do tempo que se tinha previsto. E a sonda "Cassini-Huygens" continuou sem problemas o estudo de Saturno, o misterioso planeta dos anéis, e das 31 luas em cuja órbita entrou no início deste mês depois de uma viagem de sete anos pelo espaço.

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