Orcas procuram seus peixes favoritos por sonar

06 de dezembro de 2008 • 15h02 • atualizado em 16 de janeiro de 2009 às 17h40
As orcas, conhecidas como baleias assassinas, podem usar seu sonar natural para encontrar seus peixes favoritos à distância
As orcas, conhecidas como baleias assassinas, podem usar seu sonar natural para encontrar seus peixes favoritos à distância
05 de dezembro de 2008
National Geographic

Ker Than

Estados Unidos


As baleias assassinas podem usar seu sonar natural para encontrar seus peixes favoritos à distância, sugere um novo estudo. Pesquisas anteriores haviam revelado que algumas baleias assassinas nas costas da Colúmbia Britânica e do Estado de Washington possuíam uma habilidade incomum para encontrar o salmão-real, mesmo nos meses em que a quantidade de outras espécies de salmão, como o salmão-prateado e o salmão-vermelho, era superior à do real.

"O salmão-real possui uma concentração mais alta de gordura do que qualquer outra espécie de salmão e aparentemente as baleias assassinas gostam disso," diz o co-autor do estudo Whitlow Au, especialista em bioacústica do Instituto de Biologia Marinha do Havaí.

Padrões de Eco
Como outros golfinhos e baleias, as baleias assassinas, ou orcas, emitem sons de alta freqüência que refletem quando as ondas sonoras batem em um objeto. Os animais usam a informação do sonar para se localizarem, pescarem e se comunicarem nas águas turvas.

Mas Au especulou que as baleias assassinas também usariam sua sonda natural para selecionar tipos específicos de presas. Para testar essa idéia, Au e sua equipe utilizaram sons simulados de eco-localização que lembravam os emitidos pelas baleias assassinas para medir os ecos produzidos quando as ondas sonoras ricocheteavam os corpos dos três tipos de salmão.

Em pesquisa detalhada recentemente no encontro anual da Sociedade Acústica da América, em Miami, Flórida, a equipe descobriu que cada espécie de salmão possui um padrão de eco único, baseado nos diferentes tamanhos e formas de suas bexigas natatórias. Os sacos cheios de ar aparecem nitidamente nas imagens de eco por possuírem densidade diferente da carne e água que os envolvem.

A bexiga natatória "é responsável por pelo menos 90% da energia (sonora) que é refletida do peixe," disse John Horne, membro da equipe do estudo, da Universidade de Washington. "É como uma parede rígida."

Embora os salmões-reais sejam em média maiores do que as outras duas espécies de salmão, os tamanhos individuais coincidem entre os três grupos, por isso a equipe não acredita que as baleias assassinas selecionam suas presas com base no tamanho. Horne acrescentou que a equipe planeja continuar testando sua teoria com o uso de baleias assassinas de cativeiro.

Dietas 'Culturais'
A nova descoberta é mais uma evidência dos usos múltiplos do sonar que alguns animais marinhos desenvolveram, disse John Ford, chefe do Programa de Pesquisa de Cetáceos da Estação Biológica do Pacífico, no Canadá.

Ford, que não participou do novo estudo, observou que, na mesma região do norte do Pacífico, existe outra população de baleias assassinas que parece preferir animais marinhos a peixes.

"Parece que a especialização dietética dessas duas formas de baleias assassinas é cultural," Ford disse. "É provável que baleias jovens nasçam com uma lousa em branco e aprendam o que constitui alimento e como apanhá-lo de suas mães e outros no seu grupo de parentesco."

Tradução: Amy Traduções

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