O estudo realizado por cientistas do Instituto Max Planck e do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), ambos na Alemanha, foi publicado pela revista britânica Nature.
A luz orienta a navegação das larvas de vermes, esponjas, medusas e outros invertebrados que fazem parte do zooplâncton, movimento chamado de fototaxia.
O zooplâncton viaja assim do fundo do mar até a superfície, mas ainda não se sabia como estes pequenos seres, com simples olhos e um sistema nervoso rudimentar, são capazes de coordenar a fototaxia, explica Detlev Arendt, responsável pela pesquisa no EMBL.
Os olhos das larvas são mínimos, dois pontos formados por apenas duas células cada um, sendo que uma recebe a luz e a outra acumula pigmentos.
A equipe usou as larvas de Platynereis dumerilii como modelo de sua pesquisa.
Estas larvas são fototácticas durante dois ou três dias, tempo no qual aproveitam para migrar em direção à superfície com o propósito de se dispersar, explica à Agência Efe Gáspár Jékely, pesquisador do Instituto Max Planck e principal autor do estudo. Quando deixam o estado larval voltam ao fundo do mar.
O Platynereis dumerilii não nada em linha reta, mas descreve em sua trajetória uma espiral no sentido horário, rodando sobre seu próprio eixo.
A larva se movimenta graças ao movimento de dois cílios ao redor do corpo abaixo dos quais corre um anel de neurônios que distribui o sinal nervoso.
Jékely e seus colegas descobriram que as células fotorreceptoras estendem um longo axônio, uma espécie de cabo que chega diretamente até o anel, onde faz contato.
A conexão entre o axônio e o anel neste ponto não é elétrica, mas química, similar à que ocorre no nosso organismo entre nervos e músculos, e onde se movimenta um tipo de neurotransmissor muito específico, a acetilcolina.
Quando iluminavam apenas um olho, a equipe observou que os cílios deste lado modificavam sua maneira de bater, conduzindo a trajetória da larva.
Também comprovaram que os olhos funcionam de modo independente, mas se a larva perder um deles, o sistema continua funcionando.
Os cientistas destacam que os pontos oculares do Platynereis dumerilii se parecem com o primeiro projeto de olhos que devem ter aparecido na história da evolução animal e dos quais Charles Darwin já falava, os proto-olhos.
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