Desvendado funcionamento de sistema nervoso das larvas

20 de novembro de 2008 • 13h06 • atualizado às 19h37

As minúsculas larvas dos invertebrados marítimos nadam em direção à luz graças a um nervo que conecta seus simples olhos com o sistema locomotor.

O estudo realizado por cientistas do Instituto Max Planck e do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), ambos na Alemanha, foi publicado pela revista britânica Nature.

A luz orienta a navegação das larvas de vermes, esponjas, medusas e outros invertebrados que fazem parte do zooplâncton, movimento chamado de fototaxia.

O zooplâncton viaja assim do fundo do mar até a superfície, mas ainda não se sabia como estes pequenos seres, com simples olhos e um sistema nervoso rudimentar, são capazes de coordenar a fototaxia, explica Detlev Arendt, responsável pela pesquisa no EMBL.

Os olhos das larvas são mínimos, dois pontos formados por apenas duas células cada um, sendo que uma recebe a luz e a outra acumula pigmentos.

A equipe usou as larvas de Platynereis dumerilii como modelo de sua pesquisa.

Estas larvas são fototácticas durante dois ou três dias, tempo no qual aproveitam para migrar em direção à superfície com o propósito de se dispersar, explica à Agência Efe Gáspár Jékely, pesquisador do Instituto Max Planck e principal autor do estudo. Quando deixam o estado larval voltam ao fundo do mar.

O Platynereis dumerilii não nada em linha reta, mas descreve em sua trajetória uma espiral no sentido horário, rodando sobre seu próprio eixo.

A larva se movimenta graças ao movimento de dois cílios ao redor do corpo abaixo dos quais corre um anel de neurônios que distribui o sinal nervoso.

Jékely e seus colegas descobriram que as células fotorreceptoras estendem um longo axônio, uma espécie de cabo que chega diretamente até o anel, onde faz contato.

A conexão entre o axônio e o anel neste ponto não é elétrica, mas química, similar à que ocorre no nosso organismo entre nervos e músculos, e onde se movimenta um tipo de neurotransmissor muito específico, a acetilcolina.

Quando iluminavam apenas um olho, a equipe observou que os cílios deste lado modificavam sua maneira de bater, conduzindo a trajetória da larva.

Também comprovaram que os olhos funcionam de modo independente, mas se a larva perder um deles, o sistema continua funcionando.

Os cientistas destacam que os pontos oculares do Platynereis dumerilii se parecem com o primeiro projeto de olhos que devem ter aparecido na história da evolução animal e dos quais Charles Darwin já falava, os proto-olhos.

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