Esponjas marinhas projetam luz com fibra óptica

11 de novembro de 2008 • 18h46 • atualizado em 14 de novembro de 2008 às 18h04
Pesquisadores da Universidade de Stuttgart sugerem que as esponjas usam um sistema de transmissão de luz futurista
Pesquisadores da Universidade de Stuttgart sugerem que as esponjas usam um sistema de transmissão de luz futurista
11 de novembro de 2008
Getty Images

Matt Walker

São Paulo


Esponjas marinhas podem projetar luz dentro de seus corpos e fazem isso utilizando o equivalente natural à tecnologia de fibras ópticas, de acordo com cientistas. As esponjas estão entre os mais antigos e simples animais do planeta. Por isso,a descoberta de que elas usam um sistema de transmissão de luz tão futurista entusiasmou os pesquisadores da Universidade de Stuttgart, na Alemanha.

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O estudo da equipe alemã foi publicado na revista científica Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. Outros animais circulam correntes elétricas em seus corpos usando células nervosas, mas as esponjas parecem ser os únicos capazes de transmitir luz pelo corpo dessa forma, segundo os pesquisadores.

Isso pode ajudar a explicar por que algumas esponjas conseguem crescer tanto e também esclarece um mistério antigo: como é que outros organismos menores conseguem sobreviver dentro dos corpos de esponjas grandes.

Esqueletos de vidro
As esponjas vivem principalmente no mar e são organismos extremamente primitivos. Não possuem músculos, nervos ou órgãos internos, por exemplo, e são em essência um conjunto de células diversas sustentadas por um esqueleto rígido. Dois entre os três maiores grupos de esponjas constroem seus esqueletos usando estruturas especiais chamadas espículas.

Essas estruturas são compostas pelo mineral sílica e são, basicamente, minúsculos filamentos de vidro. Experimentos anteriores revelaram que a luz pode passar por essas estruturas. Agora, o cientista Franz Brummar e seus colegas da Universidade de Stuttgart provaram que as esponjas usam esses filamentos de vidro como condutores de luz.

A luz que chega à superfície da esponja é refletida dentro de cada espícula de forma muito semelhante àquela como a luz é refletida dentro de um cabo de fibra óptica usado para a transmissão de informação eletrônica. A equipe de Brummer fez a descoberta usando esponjas da espécie tethya aurantium. Eles recolheram os animais de mares rasos na costa da Croácia e os colocaram em tanques com água do mar.

Em um ambiente escuro, implantaram papel fotosensível dentro das esponjas. Em seguida, os animais foram expostos à luz. Ao observar o papel, os pesquisadores verificaram que estava coberto de manchas que correspondiam exatamente ao ponto onde a luz deveria sair de cada espícula.

Nutrientes
Em um outro experimento com esponjas de uma espécie que não usa espículas de vidro para crescer, os cientistas não encontraram sinais de luz entrando no corpo dos animais, o que indica que as espículas são necessárias para a transmissão da luz. "Esponjas são animais fascinantes e há muitas coisas a respeito delas que esperamos descobrir", disse Brummer.

O cientista diz suspeitar que esponjas que vivem em águas profundas usam estruturas naturais de fibra óptica para recolher as mínimas quantidades de luz que chegam até elas. "Esponjas no mar profundo podem formar espículas com até um metro de comprimento e dois centímetros de diâmetro", afirma Brummer.

Para alcançar tamanhos tão grandes, as esponjas precisam de nutrientes como carbono e nitrogênio. Essas substâncias são fornecidas por organismos menores como algas e cianobactérias, com os quais as esponjas possuem um relacionamento simbiótico. Mas esses organismos menores precisam de luz para sobreviver. Por causa disse, vivem na superfície das esponjas.

Em 1994, pesquisadores descobriram que algas às vezes vivem dentro dos corpos das esponjas. Como elas conseguiam sobreviver naquele ambiente era um mistério para os especialistas. A resposta sugerida agora pela equipe de Brummer é que as algas sobrevivem a partir da luz que chega até elas por meio das espículas.

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