Animais também sofrem de estresse

26 de outubro de 2008 • 14h22 • atualizado às 14h22
O estresse pode causar mudanças no comportamento dos animais Foto: Getty Images
O estresse pode causar mudanças no comportamento dos animais
24 de outubro de 2008
Foto: Getty Images

O estresse afeta o estado físico e emocional dos animais. Assim como seus donos, eles também sofrem com os efeitos da vida moderna. Muitas vezes os animais de estimação podem assumir o estresse dos humanos. Em condições adversas os animais podem reagir com mudanças fisiológicas ou comportamentais.

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James Morrisey, veterinário na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell (EUA), afirma que cães e gatos são muito bons em pegar o estresse das pessoas, assim como as aves.

"Eu tenho trabalhado com um papagaio que vivia com uma mulher que teve uma convulsão, o papagaio podia dizer quando ela estava prestes a ter um ataque e avisá-la", afirmou Morrisey em entrevista ao site Live Science.

Além de transportar os encargos das pessoas, os animais - especialmente criaturas selvagens - têm suas próprias fontes de estresse. E para estes seres que dispõem de mecanismos não-mentais para perceber o mundo à sua volta, não é nada fácil lidar com isto.

Estados depressivos podem alterar comportamentos, mudar atitudes e predispor a doenças. Ansiedades podem provocar diarréias, apatias, automutilação e a agressividade também pode aumentar.

Fatores de Estresse
Assim como os humanos, os animais podem ficar estressados por várias razões. Um estudo de 2004 sobre doenças relacionadas com estresse nos gatos domésticos constatou que a maior fonte de estresse para estes animais é o relacionamento hostil com outros gatos em casa.

"Apesar de muitos proprietários de gatos que participaram do estudo terem relatado que o problema mais comum observado foi o medo de desconhecidos, este tende a ser um fator de estresse em curto prazo", disse o pesquisador Danielle Gunn-Moore, da Universidade de Edimburgo Royal (Dick ). "Se um gato está vivendo com outro gato onde há um conflito, esta é uma situação crônica que provoca estresse de longo prazo".

E 2006 um estudo descobriu que os cães nos abrigos sofriam com os excessivos latidos dos outros cães. "Enquanto trabalhadores podem usar protetores auriculares, os cães não têm essa possibilidade", disse Coppola Crista, um professor adjunto do departamento de medicina veterinária na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

"Ruído excessivo nos abrigos causam o estresse e podem levar os cães a terem reações comportamentais e fisiológicas", disse Crista.

Segundo o veterinário Luiz Antonio Scotti, professor adjunto de ética e bem estar animal da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) no Rio Grande do Sul, a principal linguagem do animal é a expressão corporal, os donos dos animais devem observar estas reações, e também respeitar as cinco liberdades animais", que são elas:
1- Ser livres de medo e estresse
2- Ser livres de fome e sede
3- Ser livres de desconforto
4- Ser livres de dor e doenças
5- Ter liberdade para expressar seu comportamento natural

O animal doméstico precisa de espaço e de cuidados. De acordo com o veterinário, devemos entender que eles também são seres vivos com necessidades individuais. "Por exemplo, um animal que vive em um ambiente estressado, também vai sofrer do mal, e desenvolver doenças relacionadas" diz Scooti.

Mudanças ambientais também podem causar estresse nos animais. Segundo o veterinário, da mesma forma que os seres humanos nos acostumamos com os lugares e sentimos dificuldade de adaptação, os animais também sentem essas mudanças, alterações bruscas de temperatura também podem afetar os animais.

Os animais selvagens em cativeiro, geralmente sofrem de estresse por mudanças ambientais, são muitas vezes colocados em locais impróprios, sem espaço suficiente.

Mark Wilson, neurocientista da Universidade da Geórgia, participou de estudos com macacos fêmeas da espécie Rhesus. Os macacos fazem naturalmente uma hierarquia e algumas fêmeas dominam os outros animais, que ficam subordinados.

"Subordinadas, as fêmeas tendem a mostrar maior ansiedade comportamentais - coisas como coceira excessiva, corpo tremendo e a excesso de auto-limpeza", disse Wilson.

"Basicamente, a vida de uma fêmea subordinada parece ser mais estressante", diz o neurocientista.

"Os animais tendem a viver vidas bastante estáveis. Dito isto, porém, perigo e estresse são uma parte da vida quotidiana dos animais".

Os efeitos no organismo
Além do mais, os efeitos do estresse sobre um organismo do animal são semelhantes aos efeitos do estresse sobre os seres humanos.

Em ambos, o estresse provoca o corpo para liberar hormônios - adrenalina e cortisol. Estes hormônios causam aceleração na freqüência cardíaca e respiração, afetando o sistema imunológico. O estresse, também afeta o sistema reprodutivo, reduzindo a libido e os hormônios reprodutivos, o que, em última instância, aumenta o risco de doença cardiovascular.

Todos estes efeitos encontrados nos humanos, também foram constatados nos animais.

No caso dos macacos Rhesus, por exemplo, os subordinados têm os ciclos reprodutivos afetados, e têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares do que as fêmeas dominantes.

"O stress é adaptável a certo ponto, mas depois de um tempo ele é realmente prejudicial", disse Wilson.

"Uma das primeiras coisas a ser afetada é o sistema reprodutivo. Quando se desliga o sistema reprodutivo, você tem todos estes efeitos secundários, como o risco maior de doença cardiovascular, que são realmente prejudiciais".

Nos animais, tal como em humanos, alguns indivíduos têm melhores mecanismos para lidar com o estresse, o que lhes dá uma vantagem de adaptação.

Redação Terra
 
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