Em algumas regiões do sudeste dos Estados Unidos, esse é o método encontrado a fim de obter minhocas para servir como iscas de pesca. (Existe um vídeo disponível no http://.wwnytimes.com/science).
O mistério girava em torno do motivo para que as vibrações atraíssem os vermes à superfície. Kenneth C. Catania, da Universidade Vanderbilt, forneceu uma resposta: o encantamento de minhocas reproduz o som de um predador, a toupeira do leste americano, cuja presença sob a terra em geral faz com que as minhocas fujam para a superfície.
Catania é um neurocientista que estuda os sentidos, especialmente o desenvolvido senso de tato das toupeiras de nariz em estrela. Mas o trabalho com esses animais "gera uma série de outras informações correlatas interessantes sobre a ecologia", ele diz. "E essa é apenas uma delas".
Catania trabalhou com um casal especializado em encantar minhocas, Gary e Audrey Revell, proprietários de uma loja de material para pesca na Flórida. Ele descobriu que a toupeira do leste americano tem presença endêmica na área, e que esses animais costumam comer larga quantidade de minhocas.
O cientista também mediu as vibrações causadas quando elas escavam e se movimentam pela terra. As freqüências que o trabalho dos encantadores de minhocas geram, embora não representem paralelo perfeito, apresentam "sobreposição razoável" com as geradas pelas toupeiras, ele afirmou. As constatações de Catania foram publicadas em artigo na versão online da PLoS ONE.
Ele testou outras hipóteses, entre as quais a idéia de que as vibrações podiam se equiparar às de chuva pesada ao atingir a terra. Algumas espécies de minhocas são conhecidas por subir à superfície depois de um temporal, mas Catania constatou que as espécies que ele estava estudando não eram muito influenciadas pela chuva.
Catania disse que o trabalho sugeria que as minhocas estavam reagindo ao que percebiam como a proximidade de toupeiras. E a resposta é muito intensa. "Elas saem da terra como se estivessem correndo", ele disse. "Quer dizer, se uma minhoca pudesse correr".
Tradução: Paulo Migliacci
The New York Times