'Besouro dançarino' é uma das 10 melhores imagens de 2008

18 de outubro de 2008 • 12h44 • atualizado às 12h47
A imagem Dançando na cabeça de um alfinete mostra um minúsculo besouro com as cores do arco-íris em cima da cabeça de um alfinete. Ficou em 6° lugar. Foto: National Geographic
A imagem "Dançando na cabeça de um alfinete" mostra um minúsculo besouro com as cores do arco-íris em cima da cabeça de um alfinete. Ficou em 6° lugar.
17 de outubro de 2008
Foto: National Geographic

A National Geographic divulgou ontem as 10 Melhores Imagens de Microscópio de 2008. As imagens, belas e curiosas, desvendam mistérios do mundo invisível aos nossos olhos, como o besouro multicolorido que se movimenta na cabeça de um alfinete ou as surpreendentes formas encontradas na pétala de um Lírio. Confira os ganhadores.

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Primeiro lugar: arco-íris diatômicos
Os filamentos nodosos no interior de algas microscópicas conhecidas como diátomos adquirem artificialmente as cores do arco-íris, quando fotografados através de filtros de luz polarizados.

Capturadas por Michael Stringer, especialista britânico em microscópios, as imagens conquistaram o primeiro lugar e o prêmio de US$ 3 mil no concurso microfotográfico Small World. O concurso patrocinado pela Nikon destaca "a beleza e complexidade da vida vista pelo microscópio de luz".

Segundo lugar: fábrica de nanotubos
Nanotubos de carbono incandescentes formam uma bola laranja em expansão nessa imagem obtida por Paul Marshall, do Instituto de Ciências Microestruturais do Canadá, um dos vencedores do Small World 2008.

Os nanotubos são cilindros ocos de átomos de carbono. Para produzir os tubos com espessura 50 mil vezes inferior à de um cabelo humano,é preciso aquecer grafite com eletricidade ou lasers, e isso cria um brilho ocasional intenso, como o de uma lâmpada em noite de primavera.

Terceiro lugar: flower power
Albert Tousson, da Universidade do Alabama, estava testando um microscópio a laser em seu laboratório, recentemente, e colocou uma pétala de lírio sob a lente, que a ampliou em 1,3 mil vezes, resultando em mais uma das fotos premiadas no Small World.

As cores reforçadas das paredes celulares vermelhas e dos grânulos de amido verdes e amarelos são causadas pela luz laser, que causa fluorescência em moléculas dessas substâncias - o mesmo fenômeno que gera um brilho fantasmagórico em objetos colocados sob luz negra.

Quarto lugar: amebas carentes
Matthew Springer, pesquisador de terapia celular, registrou a imagem de amebas em crescimento, ampliada 100 vezes, como parte de sua pesquisa de pós-doutorado na Universidade Stanford.

Springer queria saber se os organismos, Dictyostelium discoideum, podiam continuar crescendo ainda que privados de uma proteína motora crucial, a miosina. Ele descobriu que ela só é necessária no primeiro e último estágios de crescimento, e que nos demais ela agrada mas não é necessária ¿como um chocolate logo depois do almoço.

Quinto lugar: papel central
Ainda que pareça uma foto em close de grama cortada, a imagem que Charles Kazilek obteve com um microscópio laser mostra, por meio de uma folha de papel japonês, o quanto até mesmo as coisas mais simples podem ser aleatórias, especialmente se amplificadas em 100 vezes.

Kazilek estuda a arte e ciência da produção de papéis finos, na Universidade Estadual do Arizona. O papel fica fluorescente com a exposição ao laser, expondo composições e estruturas azuis e verdes.

Sexto lugar: dançando na cabeça de um alfinete
Alguns teólogos medievais - entre cujas preocupações estava avaliar o número de anjos que poderiam dançar sobre a cabeça de um alfinete, se divertiriam muito com essa imagem obtida por Klaus Bolte, um entomologista aposentado do Canadá.

Evidentemente apenas um - e um exemplar bem pequenino - de besouro da relva consegue dançar sobre a cabeça desta alfinete - o círculo prateado que esta foto com amplificação de 40 vezes exibe. As cores de arco-íris do besouro, aliás, são completamente naturais.

Sétimo lugar: remédio interessante
Margaret Oechsli, pesquisadora do câncer no Kentucky, gosta de conduzir experiências no campo da fotografia microscópica. Ela recentemente colocou uma porção do pó antibiótico mitomicina sob as lentes de seu microscópio e obteve esta imagem premiada no concurso Small World. Visto através de filtros polarizados, o remédio exibe cores que revelam sua complexa estrutura cristalina.

Sua opção de adotar a microfotografia como hobby, afirma Oechsli em sua ficha de inscrição, "envolve interesse por imagens mais artísticas ou abstratas" e não pelos méritos médicos de uma substância. "Sempre procuro o impacto visual".

Oitavo lugar: dervixe rodopiante
As experiências simples de química ganham aspecto fotogênico nesse trabalho vencedor de microfotografia realizado por John Hart, da Universidade do Colorado, cuja especialidade é a dinâmica dos fluidos.

Misturando enxofre, um corante orgânico azul e um produto antisséptico, Hart criou um cristal contendo uma estrutura complexa de bolhas e falhas de continuidade. Iluminado por luz polarizada, o composto brilha em tons de verde e salmão, o que lhe dá a aparência de uma palmeira atacada por um enxame de insetos famintos.

Nono lugar: descoberta compacta
Usando luz polarizada e uma ampliação de cinco vezes, David Walker, do Reino Unido, conseguiu extrair uma ampla paleta de cores do centro de um estojo comum de CD.

Walker gosta de "demonstrar como os objetos comuns espalhados pela casa podem parecer extraordinários quando estudados sob o microscópio", ele declarou aos organizadores do concurso Small World.

Décimo lugar: saltando na areia
O sand hopper, um pequeno crustáceo gamarídeo de hábitos noturnos que vive nas praias da Nova Zelândia, surge em todo o seu esplendor natural nesta imagem premiada pelo concurso Small World.

Harold Taylor, do Reino Unido, usou um microscópio com capacidade de ampliação de 10 vezes, e nenhum efeito especial. Taylor afirma em sua ficha de inscrição que evitou "tipo de imagem estilizado e com cores falsas que se tornou tão prevalente".

Tradução: Paulo Migliacci

National Geographic
 
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