Poluição dificulta formação de nuvens de tempestade

21 de setembro de 2008 • 03h38 • atualizado às 03h38

Os cientistas descobriram novos efeitos da poluição: ela pode dificultar a formação de nuvens de tempestade e modificar as características dos relâmpagos. A importância do tema não é só científica, já que tempestades e relâmpagos podem causar perda de vidas e prejuízos materiais.

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Apesar de ainda não haver explicação definitiva sobre como uma nuvem de tempestade se torna eletrificada, evidências mostram que o processo ocorre devido a colisões entre o granizo e os cristais de gelo em seu interior. Durante essas colisões podem ocorrer transferências de carga elétrica e/ou massa entre o granizo e os cristais de gelo.

Esse processo acontece de modo sistemático no interior da nuvem e deixa partículas de um mesmo tipo (granizo ou cristais de gelo) com sinal de carga igual (positivo ou negativo). A carga elétrica adquirida depende de fatores, como o tamanho dos cristais de gelo, que podem se alterar em ambiente poluído, resultando em mudanças na estrutura de cargas das nuvens e nas características dos relâmpagos.

Influência de poluentes
Uma nuvem se forma quando o vapor de água se condensa ao redor de partículas em suspensão na atmosfera chamadas núcleos de condensação. Em uma atmosfera limpa, há relativamente poucos ­ cerca de 100 por cm³ ­- núcleos de con densação, enquanto em uma atmosfera poluída, esse número ultrapassa 1.000 por cm³.

Como a quantidade de água em nuvens poluídas e limpas é aproximadamente a mesma, a água em nuvens poluídas é distribuída sobre um número muito maior de núcleos de condensação. Assim, a nuvem poluída inicia-se com uma quantidade maior de gotas pequenas e essas gotículas não se tornam facilmente gotas maiores, processo necessário para que ocorra a chuva. Essa alteração afeta a troca de cargas elétricas entre o granizo e o cristal de gelo e a estrutura elétrica das nuvens, o que implica mudanças nas características dos relâmpagos.

Em Rondônia, um estudo buscou distinguir a contribuição do aerossol na eletrificação e na estrutura das nuvens. O aerossol pode ser entendido como uma suspensão de partículas na atmosfera (exceto água pura) pouco maiores que 0,2 bilionésimo de metro. As observações mostram que essas partículas têm papel substancial na diminuição da absorção de gotas menores por gotas maiores.

Há indícios de que em nuvens de queimadas (e, portanto, poluídas) a falta de gelo causada por esse processo faz com que a região eletricamente ativa da nuvem seja elevada para grandes altitudes. Outros estudos feitos no local entre 2002 e 2003 mostram um aumento no percentual de relâmpagos intranuvem (quando a descarga elétrica se desloca dentro da própria nuvem) em relação à ocorrência desse tipo de relâmpago em nuvens limpas.

Outro dado é que, em regiões poluídas, as nuvens têm suas vidas prolongadas devido às gotículas de nuvem inicialmente serem muito pequenas e, assim, levarem mais tempo até caírem na forma de chuva. Várias pesquisas apontam diferenças nos relâmpagos entre períodos de atmosfera limpa e poluída, mas o papel dos aerossóis nessas diferenças ainda é tema que certamente precisa de mais estudos para ser totalmente esclarecido.

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