Estudo: homens e mulheres sentem dor de forma distinta

20 de setembro de 2008 • 17h03 • atualizado às 17h03

Muitos especialistas consideram que a mulher é mais resiste às dores naturais do que os homens nas diversas situações do dia-a-dia. Há quem diga até que eles ficam perturbados ao terem que resistir a uma simpes gripe ou na hora de levar uma injeção. Mas a professora Claudia Tambeli, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), ligada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sugere em um estudo que a mulher tem maior suscetibilidade à dor, além de senti-la com maior intensidade em alguns casos, como dores crônicas, de artrite ou na articulação da boca.

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A idéia faz parte de uma das linhas de pesquisa de um projeto, feito em parceria com o Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, sob coordenação do professor Carlos Amilcar Parada, que busca compreender os aspectos sensoriais da dor. O objetivo principal é contribuir com o desenvolvimento de fármacos mais seguros e eficientes e para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Segundo Claudia Tambeli, na área abordada por ela, a dor para a mulher varia de acordo com as alterações hormonais naturais do corpo. "Durante o ciclo menstrual, por exemplo, as mulheres sentem mais dor porque é um período onde a modificação é maior", avalia.

Por outro lado, em outra linha de pesquisa realizada com fêmeas de ratos grávidas, os animais apresentaram uma redução na intensidade da dor durante a gestação. "Neste caso há um aumento na liberação de hormônios que acabam amenizando a dor e aumentando a tolerância do indivíduo", destaca.

Mesmo que muitos considerem o sexo feminino mais resistente que o masculino, a especialista não crê que um possa ser comparado ao outro. "Não é que a mulher seja mais resistente que o homem, o fato é que em algumas situações ela suporta mais os efeitos quando está em uma fase de altos índices hormonais", justifica. De acordo com a professora, estes hormônios femininos acabam por reduzir a dor.

Entretanto, os homens não têm a mesma variação de hormônios que as mulheres e estudos comprovam que a presença de testosterona protege o sexo masculino, diminuindo o risco de desenvolvimento de dor articular. "Diferente do homem, a mulher fica sujeita à essa variação e em períodos do mês ela tem uma maior suscetibilidade à dor", enfatiza.

Apesar de tudo, ela acredita que o mais importante não é avaliar quem sente mais dor, e sim, o efeito que os hormônios podem ter em relação aos medicamentos.

Medicamentos diferenciados
O professor Carlos Amilcar Parada considera que o "aumento na expectativa de vida do brasileiro, que era de 38,7 anos em 1940 e deverá atingir 70 anos em 2010, dado que esta faixa etária está mais sujeita a condições dolorosas, a tendência é que as pessoas sintam mais dor, porque vivem mais e estão mais sujeitas aos traumas".

Em razão disso, o principal objetivo em questão é obter um tratamento farmacológico diferenciado para homens e mulheres, já que no Brasil a "automedicação é uma prática muito comum ao se sentir até uma simples dor de cabeça".

Amilcar informou que existem alguns medicamentos que são mais eficazes para as mulheres. "A eficiência do remédio pode variar entre homens e mulheres e já está comprovado que existem alguns mais efetivos para elas do que para eles", afirma. No estudo, os especialistas identificaram que, no caso da mulher, deve-se levar em consideração a fase do ciclo menstrual em que ela se encontra porque, dependendo da concentração hormonal no sangue, o efeito de um analgésico pode ser modificado.

Os projetos de pesquisa coordenados por Parada ainda estão buscando compreender melhor os mecanismos envolvidos nos processos dolorosos, principalmente o de dor patológica, aquela que perdeu a função de alarme, para desenvolver da melhor forma os medicamentos que poderão ser utilizados pelos médicos.

Redação Terra
 
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