Vaticano terá painéis solares para produzir energia

13 de setembro de 2008 • 18h11 • atualizado às 18h14

Lúcia Jardim
Direto de Paris

Vaticano


Não basta falar: é preciso agir. Esse parece ser o lema do Papa Bento XVI quando o assunto é ecologia. Para dar um exemplo de preservação ambiental, o pontífice concordou em instalar centenas de painéis solares captores de energia em uma das construções do Vaticano. A medida faz parte de um conjunto de ações previstas para transformar 20% da energia consumida no local em energia renovável.

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Calma, leitor: a cúpula da Basílica de São Pedro, a mais imponente e mais visitada da Igreja Católica, não está incluída do projeto. Por enquanto, a partir deste mês as obras se iniciarão na Sala Paulo VI, o mais recente prédio construído na Santa Sé e que receberá 1,2 mil painéis solares até o final de outubro.

Se cumprido o objetivo de produção de 20% da energia consumida, o pequeno Estado se transformará no primeiro da Europa a cumprir a meta estabelecida pelos países membros da União Européia − e isso bem antes do prazo final determinado, de 2020.

O Vaticano, menor Estado do mundo com seus apenas 0,44 km² de área, não faz nem mesmo parte da União Européia, mas o papa parece fazer questão de mostrar o bom exemplo de ecologia para os milhões de católicos espalhados pelo planeta.

À imprensa italiana, o engenheiro responsável pelas obras afirmou que é preciso recuperar uma energia que é "um dom inesgotável que vem lá do alto", deixando a entender que a energia solar é divina e não pode ser desperdiçada. Em entrevista ao jornal Osservatore Romano, Villarini disse que "a energia representa para nós um dom que vem lá do alto, uma fonte quase inesgotável que poderia satisfazer todas as necessidades energéticas da Terra".

Desde que assumiu o papado, Bento XVI tem procurado deixar claro que a preocupação com a destruição ambiental é uma das suas prioridades. "Diante da degradação do meio ambiente, a humanidade se dá conta de que não pode mais continuar a utilizar os bens da Terra como no passado. É assim que se forma uma consciência ecológica que deve ser estimulada de forma a desenvolver projetos e iniciativas concretas", disse ele em seu pronunciamento de 1º de janeiro do ano passado.

O engenheiro Villarini levou as palavras a sério e elaborou, então, o projeto dos painéis solares. Na superfície de 5 mil metros quadrados do telhado da Sala Paulo VI, erguida em 1964, serão instalados 2,4 mil captores de energia. O prédio foi o escolhido por ser o mais moderno e onde menos efeitos visuais a mudança provocará.

"Escolhemos ali por ser um o edifício mais compatível com tecnologias deste tipo, e também porque já existia a necessidade de renovar as coberturas. Esta solução vai produzir uma alteração visual mínima", afirmou, à Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

Ao final do trabalho − realizado em parceria com a Universidade La Sapienza, de Roma −, será possível colher 300MWh por ano, já a partir de 2009. A título de comparação, as maiores usinas solares do mundo, situadas na Alemanha e nos Estados Unidos, produzem ao ano em média 5 milMWh.

As alterações devem produzir entre 60 e 70% da necessidade total de energia do prédio. No futuro, o engenheiro planeja ainda utilizá-la para a calefação do local e até mesmo desenvolver a tecnologia do chamado "resfriamento solar", ainda pouco utilizada, para aliviar o calor nos meses de verão sem ter de abusar da energia elétrica.

Além disso, também estuda a utilização de biomassa para suprir as necessidades energéticas de outros domínios do pontificado, como o Castelo Gandolfo.

O Greenpeace italiano saudou a iniciativa do papa e aposta que o exemplo pode influenciar no comportamento não apenas dos católicos, mas de outras lideranças e governos ao redor do mundo.

"Certamente o projeto do Vaticano pode ajudar a espalhar a mensagem de que a energia solar tem de ser apoiada pelos governos a fim de acelerar o desenvolvimento desta indústria e assim baixar os custos do produto, que ainda são altos", analisa Giuseppe Onufrio, diretor de Campanhas da organização não-governamental na Itália.

A instalação dos painéis solares seria, no ponto de vista de Onufrio, uma forma de compensar o fato de que o Vaticano incentiva a energia nuclear.

"É muito importante que o Vaticano dê este exemplo enquanto líder que é. Não concordamos com o apoio que o Vaticano dá à energia nuclear porque esta ainda é insegura e perigosa para proliferação de bombas. Ainda esperamos que eles mudem suas posições neste sentido, porque os recursos são limitados e, se são gastos não direção errada, isso acaba afetando o incentivo às energias renováveis, como a solar e a eólica, e às tecnologias de economia de energia."

Segundo um relatório do Greenpeace em conjunto com a Associação Européia das Indústrias de Painéis Solares, até 2030 equipamentos deste tipo devem gerar energia para 4,5 bilhões de pessoas no planeta e 71% dessas pessoas pertencerão a países em desenvolvimento, porque o custo da energia solar naquele ano será parelho ao da energia convencional.

Redação Terra
 
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