Cientistas querem impedir testes com acelerador de partículas

28 de agosto de 2008 • 16h47 • atualizado às 17h57

Um grupo de cientistas apresentou uma denúncia perante o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo, para que seja paralisado o teste do Grande Colisor de Hádrons (LHC), da Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern), diante do risco de que um buraco negro seja gerado.

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O início do funcionamento do LHC está programado para 10 de setembro no Cern, situado em um túnel sob a fronteira franco-suíça. A denúncia foi assinada por vários cientistas, entre eles o professor de bioquímica alemão e teórico do caos Otto Rössler, e foi coordenada pelo vienense Markus Goritschnig.

Goritschnig disse à agência de notícias suíça ATS, que lamentam que não tenha sido feito um exame de riscos exaustivo sobre o projeto do acelerador igual ao feito, por exemplo, com as usinas nucleares.

Eles afirmam que a colisão de partículas no acelerador poderia provocar a aparição de pequenos buracos negros, capazes de aspirar o planeta e fazê-lo desaparecer.

"O risco é suficientemente alto para fazer com que o projeto seja detido", argumentam. O Cern está examinando a denúncia, segundo declarou o porta-voz James Gillie, que lembrou que a organização mantém sua postura de que não há motivos para preocupação, pois o LCH não faz nada que não seja produzido de forma natural no Universo.

No dia 10 de setembro, milhões de prótons percorrerão os 27 quilômetros do LHC em um só sentido, com o objetivo de ver se funciona corretamente, mas não serão produzidos choques de prótons durante alguns meses, até que alcance sua máxima potência e quando terá início a obtenção de dados.

O objetivo do LHC é ajudar a desvendar mistérios como a última estrutura da matéria, as propriedades das forças fundamentais e as leis que regem a evolução do Universo.

O acelerador consiste em um enorme anel de ímãs resfriados a -271ºC com 27 quilômetros de circunferência. A segurança do LHC foi motivo de debate durante anos e, em março, um grupo de críticos entrou com um processo em um tribunal do Havaí (EUA), afirmando que existia "um risco significativo de a operação ter conseqüências que poderiam resultar na destruição de nosso planeta".

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