Nariz pode farejar perigo no ar, dizem cientistas

26 de agosto de 2008 • 15h57 • atualizado às 15h57

Henry Fountain

Suíça


Da próxima vez que alguém disser que fareja perigo no ar, é possível que isso seja literalmente verdade - e, aliás, que o odor esteja vindo de você. Na ponta dos narizes dos mamíferos, seres humanos incluídos, fica um grupo de células nervosas conhecido como gânglio de Grüneberg, em homenagem a Hans Grüneberg, o cientista que descobriu essa estrutura, em camundongos, no ano de 1973.

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Grüneberg acreditava que se tratasse apenas de um terminal nervoso. Apenas nos últimos anos, depois que cientistas desenvolveram variedades de camundongos que brilham em tom verde à luz de lâmpadas fluorescentes, foi possível deduzir que os gânglios de Grüneberg são parte integrante do sistema olfativo. Mas eles não sabiam o que o gânglio farejava.

Na edição de 22 de agosto da revista Science, pesquisadores da Universidade de Lausanne, na Suíça, reportaram ter descoberto a finalidade do complexo, ao menos no que tange aos ratos fluorescentes.

Toda espécie de organismo, incluindo plantas, insetos e mamíferos, libera feromônios de alarme quando percebe perigo; os feromônios flutuam pelo ar e servem para advertir a outros organismos.

Pouco se conhece sobre os feromônios de alarme dos mamíferos, a não ser que eles existem. Os cientistas ainda não identificaram os compostos; não sabem em que parte do corpo os feromônios são produzidos. Mesmo assim, os pesquisadores de Lausanne conseguiram recolher os feromônios por meio do expediente de causar estresse aos ratos de laboratório e sugar o ar em torno deles.

Quando outros ratos, normais, foram expostos ao ar que continha o cheiro de alerta, eles imediatamente suspenderam seu movimento. Mas no caso de ratos cujos gânglio de Grüneberg haviam sido extirpados, eles não perceberam ameaça alguma e continuaram a percorrer suas gaiolas, completamente despreocupados.

The New York Times
 
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