Casos de anemia e obesidade crescem no Brasil

25 de agosto de 2008 • 18h32 • atualizado às 18h32

Um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública mostra que o número de casos de anemia e de obesidade têm crescido no País. A pesquisa, que analisou 28 trabalhos publicados desde o ano de1974, aponta que essa tendência se deve à grandes mudanças na alimentação da população. As informações são da agência Fapesp.

As publicações analisadas são trabalhos sobre anemia em crianças e mulheres em idade reprodutiva que atendem aos critérios recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um dos estudos, realizado no município de São Paulo, registra um aumento de 24,9% nos últimos 20 anos nos casos de anemia em crianças de até cinco anos de idade.

Outros dois trabalhos se referem aos estados da Paraíba e de Pernambuco, cuja tendência é de aumento das anemias em 10% a cada dez anos.

Segundo informou á agência Fapesp o pesquisador Malaquias Batista Filho, participante da pesquisa, a anemia não acontece apenas em países subdesenvolvidos. "Trata-se de um problema que foi progredindo na surdina, sem muitas denúncias. Hoje existem estimativas de que dois terços da população mundial podem ter anemia. Houve redução nas formas mais graves, mas houve ampliação em relação às formas leves e moderadas de anemia", afirmou o cientista à agência.

O pesquisador afirma que os estudos realizados em São Paulo demonstram que a supervalorização do leite como alimento, tem relação com o aumento da anemia em crianças.

Segundo ele, apesar de ser um alimento importante, o leite "não pode ser considerado um alimento que necessariamente deve fazer parte da dieta para que exista condição para saúde normal. Ele não é rico em ferro e inibe o aproveitamento de ferro de outros alimentos".

As pesquisas mostram também que as mudanças nutricionais na população adulta têm resultado em aumento de peso e obesidade. Na população masculina, a proporção de obesos triplicou desde o ano de 1989, passando de 2,8% para 8,8%.

Já entre as mulheres, a proporção manteve-se estável, em torno de 13%.

De acordo com Batista Filho, o novo modelo nutricional gera a necessidade de se avançar para além dos problemas relacionados à fome. "Agora temos que pensar nos aspectos qualitativos da alimentação e não simplesmente compensá-la com calorias. Alimentação saudável não se reduz ao problema da fome, mas tem relação com vários outros aspectos nutricionais e de saúde."

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip) e do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Recife.

Redação Terra
 
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