Cientistas criam 'cérebro' de robô com neurônios de rato

14 de agosto de 2008 • 14h08 • atualizado às 16h32
 O cérebro biológico do robô, batizado Gordon, foi criado a partir de neurônios extraídos de um rato
O cérebro biológico do robô, batizado Gordon, foi criado a partir de neurônios extraídos de um rato
14 de agosto de 2008
AFP

Cientistas ingleses criaram um robô que funciona com um verdadeiro cérebro vivo composto por neurônios de rato. O cérebro - que é capaz de 'aprender' comportamentos, como evitar uma parede - foi criado na Universidade de Reading (Grã-Bretanha) por um grupo de pesquisadores, denominados 'discípulos de Frankenstein'.

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O cérebro biológico do robô, batizado Gordon, foi gerado a partir de neurônios extraídos de um rato. Os tecidos foram colocados numa solução, separados e depois colocados em uma espécie de leito com sessenta eletrodos.

"Em 24 horas, as conexões se reforçaram, formando uma rede como num cérebro normal", explicou o responsável da equipe multidisciplinar, Kevin Warwick. "Em uma semana ocorreram impulsos elétricos espontâneos e o que parecia ser uma atividade de cérebro comum", acrescentou.

"Utilizamos esta reação para vincular o cérebro ao robô com os eletrodos. Agora o cérebro controla o robô e ele aprende por repetição", acrescentou o cientista.

Estas pesquisas podem facilitar o estudo dos tratamentos para lutar contra as doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson...), permitindo seguir as reações dos neurônios.

Segundo um pesquisador, para que aprenda alguns comandos, eles vão aumentar a voltagem sobre diferentes eletrodos utilizando produtos químicos para favorecer ou reduzir as transmissões entre neurônios.

"Se o robô está num lugar e queremos que vá para a direita, podemos enviar um estímulo elétrico para dar-lhe ordem", indicou.

"Queremos compreender como se arquivam as lembranças no cérebro biológico, em relação a um cérebro de computador", advertiu, calculando que existem entre 50.000 e 100.000 neurônios em atividades no cérebro de Gordon.

Os ratos possuem no máximo um milhão de neurônios, os homens, 100 bilhões.

"Como no caso do ser humano, se o cérebro de Gordon não for estimulado com frequência, se atrofia. Pelo contrário, com estímulos, as conexões se reforçam e ele fica mais esperto", comentou Kevin Warwick.

"Nossos estudos estão relacionados também ao Mal de Alzheimer, no que se refere ao armazenamento da memória e como podemos reforçá-lo", continuou.

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