Pirâmides de Teotihuacán revelam seus mistérios

13 de maio de 2004 • 22h31 • atualizado às 22h31
O sítio arqueológico mexicano Teotihuacán recebe visitantes de todo o mundo Foto: AP
O sítio arqueológico mexicano Teotihuacán recebe visitantes de todo o mundo
13 de maio de 2004
Foto: AP

O sítio arqueológico mexicano provavelmente mais conhecido do mundo, Teotihuacán (50 km ao norte da capital), começa a revelar seus segredos após cinco anos de explorações, que confirmam que entre as culturas do centro do país e os distantes maias houve mais que um intercâmbio comercial. A "cidade dos mistérios" foi fundada por volta do século II a.C e, abandonada sem que se saiba exatamente por que nove séculos depois.

Desde 1998, uma equipe internacional de arqueólogos e especialistas de várias áreas cavou túneis transversais na pirâmide da Lua (44 m de altura), situada no extremo norte do sítio e ao final da monumental Calçada dos Mortos (4 km de longitude).

Os resultados são exibidos a partir de hoje no Museu Nacional de Antropologia e, entre eles, se destacam várias reproduções de enterros, correspondentes a homens que foram sacrificados e enterrados em posição de flor de lótus, com jóias e, em dois casos, acompanhados de animais que foram sepultados vivos, segundo as investigações.

Esta forma de enterro não corresponde aos teotihuacanos, mas aos maias, cujas principais cidades se encontram a quase mil quilômetros de distância, na direção leste.

"Não sabemos o significado exato, no entanto, isto comprova que a relação entre ambos (os povos) foi ao nível de política, de governo", disse Rubén Cabrera, arqueólogo responsável pelo sítio, junto com o japonês Saburo Sugiyama. "A dúvida é saber se eram personagens de Teotihuacán ou estrangeiros que chegaram da região maia", acrescentou.

Os vínculos entre estas duas culturas poderosas, com influência sentida do centro do México até Honduras, eram representados até agora por pinturas murais, objetos artísticos ou enterros de pouca importância.

"Segundo algumas investigações em Copán (Honduras), um senhor teotihuacano talvez tenha chegado a fundar uma dinastia", arriscou Cabrera.

As mais de mil peças encontradas na pirâmide da Lua permitem entrar pouco a pouco no conhecimento da gigantesca cidade, onde chegaram a viver, na sua época de esplendor, 200 mil habitantes.

Depois de décadas de pesquisas, os especialistas continuam sem saber se Teotihuacán contou com apenas um líder ou com um conselho de nobres, como foi fundada e se perdeu, ou qual o significado exato das imagens fantásticas representadas em seus muros.

"Estamos trabalhando num sítio de caráter ideológico, numa pirâmide que teve uma função muito importante na política, no governo", disse Cabrera, que acredita qye mais temporadas de excavações permitirão conhecer quem estava no topo da vida social de Teotihuacán.

Para o professor Enrique Florescano, que afirmou em livro recente que em Teotihuacán foi enterrado o mítico Quetzalcoátl (guerreiro que assumiu o símbolo divino da serpente emplumada), está demonstrado que "Teotihuacán não foi apenas um centro religioso, mas uma formidável máquina de guerra", cuja influência trascendeu ao Vale do México.

Este esquema se repetiria séculos depois com a chegada dos astecas à região, que acabaram subjulgando praticamente todas as culturas que os cercavam, até o litoral da península de Yucatán (leste).

"Algumas partes da cidade estão incendiadas e isto quer dizer que houve levantes" antes que seus habitantes a deixassem, afirmou Cabrera.

Estes rastros de violência se repetiram em outros sítios não muito distantes, como Xochicalco (700 d.C), uma das cidades herdeiras de Teotihuacán, o que parece indicar que a agitação social contra as cúpulas dirigentes foi freqüente, talvez provocada pela fome.

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