Identificada sinestesia em que se 'ouve' imagens |
»Percepção do mundo varia para ocidentais e orientais
»Mágicas ajudam a entender a mente
»Estudo diz que música pode afetar sabor do vinho
Há casos, por exemplo, em que a pessoa associa cores a palavras. Outras associam cores a números ou letras, ou sentem gostos quando tocam objetos.
A até então desconhecida forma de sinestesia foi indentificada pela pesquisadora Melissa Saenz, do California Institute of Technology, nos Estados Unidos, e descrita em um artigo publicado na revista científica Current Biology.
O estudo é tema de um artigo publicado na revista de ciência New Scientist.
Esta, acredita-se, rara forma de sinestesia foi descoberta quando um aluno de Saenz disse estar ouvindo sons vindos de um protetor de tela em um computador.
Depois de fazer algumas perguntas ao estudante, a pesquisadora se deu conta de que a vivência do aluno se encaixava nos critérios de sinestesia.
O fenômeno ocorrera durante toda a sua vida e acontecia com várias imagens em movimento.
Saenz enviou o protetor de tela - que mostrava pontos em movimento - para centenas de voluntários, e verificou que três outras pessoas também ouviam sons, como batidas, zumbidos e chiados, quando olhavam as imagens.
Para comprovar se realmente se tratava de sinestesia, a pesquisadora fez testes com os indivíduos que supostamente tinham a condição e também com um grupo de voluntários neutros.
Ambos os grupos ouviram várias séries de sons, sempre aos pares, e observaram seqüências complexas de imagens em movimento, também aos pares.
O objetivo era saber se as seqüências de sons e de imagens eram idênticas.
Estudos anteriores mostram que padrões sonoros são mais fáceis de identificar e, de fato, ambos os grupos acertaram 85% dos testes sonoros.
Mas quando fizeram os testes com imagens, os indivíduos que tinham sinestesia tiveram um índice de acertos de 85%, enquanto o outro grupo acertou apenas 55% dos testes.
"Sinestésicos tiveram vantagem porque não apenas podiam ver, mas também ouvir os padrões visuais", escreveu Saenz na revista Current Biology.
"A sinestesia de audição-movimento pode ser um instrumento útil no estudo de como os sistemas de processamento auditivos e visuais interagem no cérebro", acrescentou.
A neurologista Julia Simner, que faz pesquisas sobre sinestesia na University of Edinburgh, na Éscócia, disse que algumas formas da condição são mais comuns do que outras.
Segundo Simner, é comum encontrar pessoas que tem um tipo inverso de sinestesia, ou seja, vêem cores quando ouvem música.
"O que é muito interessante sobre este estudo é que eles foram capazes de documentar um tipo (de sinestesia) que sabíamos que existia, mas sobre o qual tínhamos apenas um conhecimento vago".
BBC Brasil - BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.