HIV: não se deve temer fracassos em pesquisas

04 de agosto de 2008 • 18h18 • atualizado às 19h19

Especialistas no desenvolvimento da vacina contra o Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) pediram nesta segunda-feira na Cidade do México que a indústria farmacêutica, pesquisadores e cientistas "não temam" os contínuos fracassos dos testes da vacina para a doença, pois estes os aproximam cada vez mais do êxito.

O diretor-executivo do programa mundial de saúde da Fundação Bill e Melinda Gates, Tachi Yamada, explicou que "nove de cada dez drogas usadas em vacinas que são testadas em humanos fracassam".

Em meio à realização da 17ª Conferência Internacional sobre a Aids ("AIDS 2008"), no México, Yamada disse que "a indústria continua investindo" apesar de "comumente enfrentar fracassos", aos quais definiu como "um revés momentâneo no caminho para o êxito".

Yamada declarou que os testes com microbicidas e as vacinas tiveram "resultados menos positivos" que os de, por exemplo, a circuncisão masculina como método de prevenção.

No final do ano passado, o laboratório americano Merck encerrou um teste internacional chamado Step de uma vacina contra o HIV, que começou em 2004 e envolveu três mil voluntários soronegativos.

No entanto, esse teste, o último de uma vacina realizada em grande escala no mundo, fracassou quando 24 dos 741 voluntários que tomaram a vacina foram infectados com o HIV e 21 das 762 pessoas que tomaram um placebo também contraíram o vírus, lamentou o especialista.

Yamada disse que se deve continuar a busca por uma vacina, pois nos últimos dois anos dois milhões de pessoas infectadas receberam tratamento contra o vírus pela primeira vez, mas, ao mesmo tempo, cinco milhões contraíram a doença.

Alan Bernstein, diretor-executivo da Campanha Global para uma Vacina contra o HIV (Global HIV Vaccine Enterprise), disse que os pesquisadores devem abandonar a pretensão de "desenvolver um produto" e se concentrar melhor na "pesquisa de imunologia humana de última geração".

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