Especialistas: consumo consciente é "comer menos"

27 de julho de 2008 • 10h33 • atualizado às 10h34

Pesquisas publicadas pelo site Live Science apontam para um aumento crescente nos custos dos alimentos e combustíveis. Este fato, acrescido dos impactos, já reais, do aquecimento global, torna necessário um consumo cada vez mais consciente. Segundo os pesquisadores, um consumo consciente seria a busca por alimentos mais eficientes em termos energéticos acrescido da nova "cura de todos os males": comer menos.

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Conforme a publicação, o último relatório da Universidade de Illinois prevê um aumento maior nos preços dos produtos alimentícios no próximo ano. Sendo assim, esta "cura para todos os males" sugerida, poderá tornar-se um modo de vida inevitável para as pessoas com orçamentos mais baixos.

Isso teria, naturalmente, o benefício adicional de reduzir medidas e melhorar a saúde, o que proporcionaria poupanças adicionais de redução dos custos com a saúde.

Outro benefício nesse corte no consumo seria a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa - dizem os pesquisadores - o que contribuiria para reduzir os bilhões de dólares em prejuízos previstos com o aquecimento do mundo.

Cerca de 19% do consumo energético dos Estados Unidos é gasto na produção e fornecimento de alimentos, afirma o cientista David Pimentel da Universidade de Cornell na última edição da publicação Human Ecology. Considerando que o americano médio consome um número estimado de 3.747 calorias por dia - pelo menos 1.200 a mais do que aconselham os especialistas de saúde -, todos os pesquisadores sugerem cortes de consumo.

Produtos de origem animal e os chamados "junk food", em particular, utilizam mais energia e outros recursos para a sua produção do que produtos naturais como batata, arroz, frutas e legumes.

Produzir tudo o que é usado em um único hambúrguer, por exemplo, requer cerca de cinco mil litros de água, de acordo com site da U.S. Geological Survey, fonte oficial do governo dos Estados Unidos.

Alimentos do futuro
Um estudo realizado em 2006 pelos pesquisadores Gidon Eshel e Pamela Martin, da Universidade de Chicago, descobriu que uma dieta vegetariana é a que tem menos gastos em termos de energia, seguido da dieta que inclui aves. Dietas com carne vermelha ou peixe são as que têm custos mais altos.

"Ao reduzir a ingestão de 'junk food' e converter a dieta em outra com menos carne vermelha, poderíamos ter uma enorme redução sobre o consumo de combustível, bem como a melhoria da saúde pública", afirma Pimentel.

O Engenheiro Agrônomo com mestrado em produção animal pela UFRGS Gustavo Javier Wassermann afirma que, apesar da alimentação vegetariana causar menos impacto no meio ambiente, o consumo mundial de proteínas de origem animal é crescente ano a ano. "Em termos de aproveitamento energético, os alimentos de origem vegetal estão no topo da cadeia. Mas pesquisas apontam que o mundo tem preferência por comer proteínas ricas, que são as de origem animal", afirma.

Para o cientista, a maneira de combinar este aumento de consumo de carnes com um menor impacto ambiental, seria mesmo dar preferência ao consumo de aves. Gustavo explica que "as aves de corte têm ciclo curto, ou seja, têm curto período entre o nascimento e o abate, se comparado às outras culturas como a de bovinos. Um frango está pronto para o abate aos 40 dias de vida, já um bovino necessita de dois anos."

Outro fator que deve ser considerado é a chamada conversão alimentar. Segundo o Agrônomo, "a conversão alimentar é a relação entre a quantidade de alimentos que o animal consome e a quantidade que ele produz. Entre os Bovinos, os peixes e as aves, estas últimas produzem mais alimento em relação ao seu consumo, por isso são consideradas mais eficientes me termos energéticos."

Além de todos estes fatores, "a produção de aves de corte é a que necessita de menor quantidade de água, que é um bem em crescente escassez no mundo", completa o cientista.

Consumidor no controle

Os estudos da Universidade de Cornell, conduzidos por David Pimentel, afirmam que o consumidor está na posição mais forte para contribuir para uma redução da utilização de energia.

"Assim que os indivíduos aderem a um estilo de vida ecológico, a concientização da influência que suas escolhas alimentares têm sobre os recursos energéticos, poderia ser um incentivo para que elas comprem produtos saudáveis e evitem aqueles alimentos altamente processados, muito embalados e menos nutritivos", afirma o pesquisador. "Além de conduzir para um meio ambiente mais limpo, isto levará também a uma saúde melhor."

Redação Terra
 
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