Embora faltem estudos científicos sobre o número real de espécies que habitam a região amazônica e o impacto que elas estão sofrendo, o aquecimento global já compromete a biodiversidade da região. A constatação é de Adalberto Luis Val, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
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Em conferência realizada na última nesta terça-feira na 60ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas, o diretor do Inpa disse que uma das principais ameaças à biodiversidade é causada pelo chamado "efeito de borda" - com o avanço do desmatamento, novas bordas se formam na floresta levando à perda de animais e plantas num raio de mais de 100 m de mata na vizinhança.
Além disso, a vegetação mais exposta perde parte de sua capacidade de retirar carbono da atmosfera. "No Brasil, o desmatamento abre 22 mil km de novas bordas a cada ano", afirmou o pesquisador. Segundo ele, cerca de 60% de todas as formas de vida do planeta estão concentradas na Amazônia, mas somente a metade é conhecida pela ciência.
Val citou uma pesquisa realizada no Inpa com o Tambaqui, peixe típico da região, que apontou alterações no DNA do animal que seriam decorrentes das exposições elevadas aos raios ultravioleta do sol.
De acordo com o pesquisador, ao depredar florestas e emitir gás carbônico em grandes, a humanidade acelera o processo de aquecimento do planeta e de extinção de espécies. O aumento de temperatura previsto para 2100, que é de 0,6°C, já é bastante significativo do ponto de vista biológico.
Para amenizar a degradação da Amazônia agora, alguns tópicos são especialmente importantes e têm de ser estudados. Segundo Val, é necessário investigar a história evolutiva e adaptativa da região, as características ambientais regionais e assumir a distribuição espacial das espécies. Isso porque se trata de uma floresta extensa, onde existem regiões com espécies específicas que irão reagir de modo diferente para se adaptar. Também é possível que as mudanças prejudiquem os ribeirinhos, que dependem da interação com a floresta para sobreviver.
As perspectivas de outras regiões do Brasil também não são boas. Com essa elevação de temperatura, a umidade do ar muda na floresta, afetando o regime de chuvas do País inteiro. Por isso, Val alerta que é muito provável que haja prejuízos financeiros no campo e que podem interferir também em outras atividades econômicas.
A internauta Ana Laura Galeti, de Campinas (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.