vc repórter: vacina contra a dengue tem de ser tetravalente

17 de julho de 2008 • 09h29 • atualizado às 09h29

A criação de uma vacina eficaz contra a dengue esbarra na dificuldade de imunizar as pessoas simultaneamente contra as quatro variações (sorotipos) do vírus da doença. A exigência de uma vacina tetravalente atende a uma medida de segurança, uma vez que, se fossem imunizadas somente contra um sorotipo, as pessoas correriam o risco de desenvolver a chamada dengue hemorrágica, se entrassem em contato com as outras variações do vírus.

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Elena Caride, vice-diretora de desenvolvimento tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explicou, durante a mesa-redonda realizada ontem na 60ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas, que um indivíduo já infectado com dengue clássica pode contrair, em uma segunda vez, dengue hemorrágica, porque os próprios anticorpos favorecem a replicação do vírus.

A imunização contra apenas um sorotipo pode impedir um indivíduo de pegar aquela variedade da doença mas, se ele pegar outra, os anticorpos gerados pela vacina podem fazer eclodir a dengue hemorrágica. "Por isso a vacina tem de ser tetravalente", afirmou a pesquisadora. Segundo Elena, outro grande desafio para a criação da vacina é a atenuação do vírus e o seu poder imunogênico, que é responsável pelo grau de imunização do receptor da vacina.

No momento, diversos laboratórios nos Estados Unidos, Índia, França e outros países, trabalham no desenvolvimento da vacina. Além da iniciativa privada, há governos e universidades envolvidos nas pesquisas em diferentes estágios, alguns inclusive já em fases de testes em humanos. O laboratório mais próximo de um possível sucesso é o francês Sanofi-Pasteur, concorrente da brasileira Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um dos laboratórios de ciência e tecnologia em saúde mais respeitados da América Latina.

No Brasil, além da Fiocruz, o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantã e com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos - National Institutes of Health (NIH) -, também trabalham na criação de uma vacina. Segundo Expedito Luna, membro da equipe brasileira de pesquisa, o projeto, que no Brasil tem o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), prevê que testes clínicos poderão ser feitos até 2010.

O atraso nas pesquisas se deve ao desenvolvimento da vacina para o sorotipo 3 do vírus da dengue, que, segundo os cientistas, é o tipo mais difícil.

Luna afirma ainda que a vacina "tem como objetivo a imunização em crianças", uma vez que são elas as mais afetadas. Ele ressalta ainda a importância de um estudo de dinâmica de transmissão da doença, pois atualmente não há uma dimensão clara da incidência no Brasil. Isso porque nem todos os casos de dengue são notificados.

Mais de 70% das vítimas da dengue tem uma versão assintomática da doença ou a confundem com uma gripe comum. Luna e Caride afirmam que no Brasil só há os vírus tipo 1, 2 e 3. Segundo eles, "o tipo 4 não chegou ao Brasil", ainda que já existam casos em países fronteiriços, como na Colômbia.

A dengue fez entre o ano passado e este ano mais de 95 mortes, sendo 6% dos casos de dengue hemorrágica.

A internauta Bruna Alcino, de Campinas (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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