Atualizada às 17h35
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A mesa-redonda, coordenada pelo pesquisador da Unicamp Isaías Macedo, teve a participação do engenheiro mecânico e pesquisador Manoel Regis Lima Verde Leal e do engenheiro químico Carlos Vaz Rossell, também pesquisadores ligados à instituição. O primeiro a expor suas idéias foi Manoel Leal. Ele falou sobre o histórico da utilização do álcool no Brasil, desde o surgimento como forma de energia até a situação atual e ressaltou a importância do Programa Nacional do Álcool, o popular Pró-Álcool. Essa iniciativa do Governo, criada em 1975 para enfrentar a crise do petróleo dos anos 1970, buscava substituir o uso da gasolina para o álcool e conseguiu quadriplicar a produção do combustível renovável em apenas três anos. Com a normalização do preço dos barrís e o desenvolvimento de motores a gasolina menos poluentes, o projeto parou de receber investimentos.
Com a tecnologia que o País detém, garante Leal, é possível aumentar a produção do etanol e até exportar o produto, capacidade que os outros países não têm no momento. Mas o pesquisador adverte que o Governo precisa investir em novas tecnologias para ampliar a produtividade do álcool da cana-de-açúcar. Apenas a sacarose, responsável por um terço da biomassa da cana, é aproveitada para a produção de açúcar e álcool combustível. O Brasil utiliza o bagaço da cana na geração de energia nas usinas e na produção de alimento para animais, o que foi responsável por um notável ganho de eficiência. O desafio é converter em etanol também a celulose, que está no bagaço e na palha da cana.
A hidrólise da cana, uma das tecnologias que promete ampliar o aproveitamento da cana-de-açúcar para a produção do etanol, foi a apresentada pelo engenheiro químico Carlos Rossell. Processos de hidrólise permitem que as unidades de carbono da celulose da cana sejam também fermentadas. O domínio das tecnologias de utilização da celulose está no centro da corrida mundial pela produção de energia a partir de fontes renováveis. Hoje esse processo tem custos muito elevados e está longe de ser viável economicamente, mas, segundo Rossell, poderá permitir no futuro um aumento de 40% na produção do biocombustível sem aumentar a área do plantio com uma redução dos custos.
"Falta um maior investimento do Governo, o que não acontece desde o fim do Pró-Álcool. Enquanto isso, países desenvolvidos, principalmente Canadá e Estados Unidos, estão investindo e avançando tecnologicamente na produção do etanol", afirma Carlos Rossel.
O internauta Daniel Nogaroli, de Campinas (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.
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