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Pesquisadores manipularam níveis de ghrelin em ratos por meio de vários métodos: restrição calórica prolongada, injeções dos hormônios e uma modificação genética que torna os ratinhos insensíveis aos efeitos do ghrelin.
Os animais que tinham a atividade do hormônio limitada pareciam deprimidos. Se empurrados em águas profundas, não faziam qualquer esforço para nadar. Ao introduzí-los em um labirinto, eles ficavam na porta de entrada. E, quando colocados com outros ratos, tendiam a ficar sozinhos. Esses comportamentos foram revertidos quando os ratos receberam uma dose baixa de antidepressivos comumente prescritos para o homem.
Em contraste com estes fatos, os camundongos com elevados níveis de ghrelin nadavam energicamente em águas profundas, procurando escapar. Eles exploravam avidamente novos ambientes e eram muito mais sociáveis.
Os ratos são bons análogos para os seres humanos em testes como esses. O estudo, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, entre outras organizações, foi publicado pela edição de julho da revista Nature Neurociências.
Vida Selvagem
Os pesquisadores acreditam que o fato da fome induzir à felicidade é uma medida adaptativa. Obter alimento, especialmente no estado selvagem, exige concentração, percepção aguçada e, muitas vezes, cooperação.
Se a fome fizesse o homem andar por aí com medo, seria bem provável que ele se tornasse o jantar de alguém. Em vez disso, o ghrelin o motiva e estimula a tentar conseguir alguma comida.
A fome não é o único fator estressante que provoca o aumento do ghrelin. A ansiedade social também pode estimula-lo. Quando ratos foram colocados em convivência com outros mais velhos que os intimidavam (como os seus líderes), os níveis de ghrelin permaneceram altos durante semanas.
O fato de algumas pessoas se superarem quando estão sob pressão pode ser atribuído a um nível elevado de ghrelin. Se o lanche induzido pelo estresse é evitado, a pesquisa sugere que os níveis de ghrelin permanecem elevados e ajudam a enfrentar o fator estressante com calma, de uma forma eficaz.
Possivelmente viciante
O que dizer quando estamos realmente com fome? Certamente, não há nada divertido sobre isso. "Você não pode ver realmente um efeito antidepressivo depois de ter perdido, digamos, 10 ou 15% do seu peso corporal", disse o pesquisador Michael Lutter, do Centro Médico da Universidade do Sudoeste do Texas. Mas uma vez que você está recebendo ajuda regular a partir de ghrelin, isso poderia tornar-se um vício - o que pode explicar porque anoréxicos têm tanta dificuldade em se recuperar.
Isto também poderia explicar o Movimento de Restrição de Calorias (CR). Os devotos da CR estão motivados, pelo menos no início, por estudos que mostram que os animais que comem de 20 a 30% menos do que considera-se adequado têm a vida prolongada, mesmo que isso também - de acordo com o Jornal da Associação Médica Americana - resulte em perdas ósseas e musculares, fadiga, constipação, tonturas e outros sinais de má saúde.
Mesmo que os efeitos anti-envelhecimento da CR provavelmente operem através de um mecanismo diferente, o pesquisador afirma que não ficaria surpreso se a dieta prolongada da CR também desse um impulso ao humor.
Redação Terra