vc repórter: SBPC afirma que etanol brasileiro pode ser sustentável

15 de julho de 2008 • 14h10 • atualizado às 14h10

O uso do etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil pode ancorar uma estratégia sustentável para diminuir a emissão de poluentes no planeta, desde que o País invista no aumento de sua produtividade e não permita a expansão da fronteira agrícola sobre a floresta amazônica. Essa foi uma das conclusões da mesa-redonda "Sustentabilidade do Etanol e Alternativas para os Biocombustíveis", realizada ontem na 60ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com a participação do pesquisador do Instituto Imazon Paulo Barreto e do botânico Marcos Buckeridge, professor da USP.

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Arnaldo Walter, professor da Unicamp e mediador da mesa, abriu o debate dando ênfase ao principal responsável pela poluição: os transportes. Estudos europeus apresentados por ele, ressaltam que a substituição do petróleo por biocumbustíveis poderia diminuir em aproximadamente 60% a emissão de poluentes. O professor disse que dados levantados por pesquisadores brasileiros mostram que a redução poderia chegar a aproximadamente 80%.

Paulo Barreto, do Instituto Imazon, discutiu dois aspectos da utilização do etanol: o tamanho da demanda pelo biocombustível e os impactos no mundo e no Brasil da produção do combustível renovável. Ele acredita que devem ser necessários 32 milhões de hectares de terra no planeta para a produção do etanol pelo menos até 2030. Outro dado aponta que o Brasil possui 7 milhões de hectares voltados para a produção de combustível com boas chances de ampliar essa área em mais 11 milhões de hectares.

O pesquisador acredita que, a longo prazo, é possível que o preço dos alimentos aumente em decorrência da produção desse biocombustível, uma vez que o etanol tem um valor econômico suficiente para estimular agricultores a substituir o foco atual de sua produção. No caso do Brasil, contudo, esse impacto seria pequeno, segundo ele, pois a expansão da produção em áreas disponíveis na região centro-sudeste, notadamente no Cerrado, pouco influiria em outras culturas. Um perigo efetivo, afirma Barreto, é o risco de que a cana-de-açúcar avance sobre áreas hoje exploradas pela pecuária e empurre a criação extensiva de gado em direção à Amazônia.

O botânico Marcos Buckeridge aposta em uma solução para impedir o desmatamento, aumentar a produção do biocombustível e ainda regenerar florestas. Em suas pesquisas, ele já atestou a viabilidade de entremear plantações de cana-de-açúcar com corredores compostos por espécies da vegetação nativa. Essa estratégia, segundo Buckeridge, tornaria o etanol brasileiro "ecologicamente correto" e mais valorizado mundialmente.

Para os três palestrantes, o Brasil tem condições tanto climáticas como tecnológicas para crescer e se consolidar como principal produtor do etanol. Mas é essencial que o governo planeje a produção do biocombustível para garantir a sua sustentabilidade.

O internauta Daniel Nogaroli é estudante de jornalismo da Facamp, de Campinas (SP), e participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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