Atualizada às 18h20
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"Trata-se de um achado revolucionário e excepcional pela data ser tão antiga", destacou Kauffmann-Doig em uma entrevista à imprensa, em Berlim. A questão agora é averiguar que função teve o complexo. O diretor do projeto de Sechín Bajo, arqueólogo Peter Fuchs, da Universidade Livre de Berlim, explicou que a zona de escavações abarca uma superfície de 30 hectares com construções de várias épocas, sendo as mais recentes de 3,6 mil anos.
A construção com pátios redondos encontrada nos estratos inferiores das escavações "pode ser considerada a mais antiga arquitetura monumental no espaço central andino", disse ele, destacando que ela teria sido erguida há cerca de 5,5 mil anos.
Sobre ela foi erguida - posteriormente - um edifício aberto, quase quadrado, medindo cerca de 35x40m, com nove salas alinhadas três a três que podem ter tido alguma função ritualística. Quase conjugado a este edifício se encontra o achado mais interessante do complexo, uma construção de pedra e adobe de 125x150m em bom estado de conservação, que contém quatro pátios interiores alinhados em ordem crescente (o menor acima e o maior na parte inferior).
Este último, maior e com muros de cerca de 5 m de altura cobertos de adobe, se abre para uma praça de quase 20 mil m². A escavação desse pátio trouxe à luz os relevos de grande tamanho nas paredes, únicos na região, com figuras em posição frontal que têm os braços abertos e parecem tomar parte em algum ritual de dança ou uma procissão. Na mão direita elas sustentam um objeto alongado que poderia ser uma maça de guerra e na esquerda há pendurada uma peça redonda, também sem identificação, da qual surge uma cabeça de serpente. Os arqueólogos limparam até agora três figuras com a ajuda de uma equipe de especialistas em restauração e consideram que elas poderiam ter entre 3,9 mil e 3,7 mil anos de idade.
Fuchs explicou também que a construção de Sechín Bajo, situada a 370 km ao norte de Lima, na região costeira do Peru, foi abandonada intencionalmente por razões desconhecidas há mais de 2,5 mil anos. Os responsáveis "fecharam as portas e derrubaram as escadas de acesso", selando a entrada ao complexo, explicou o arqueólogo alemão.
Ele acrescentou que quem realizou essa tarefa também encheu de grafismos as paredes externas da construção com mais de 130 desenhos de animais, máscaras e outros objetos. "O mais interessante de todos eles é uma espécie de animal mitológico, uma mistura de crocodilo, felino e aranha, que poderia ser o anúncio de uma nova concepção de mundo e que se encontra repetido de maneira similar em numerosos achados arqueológicos espalhados pela região andina", afirmou.
"Não sabemos qual era a função deste complexo, apenas que não se tratava de uma residência e que tinha utilidade pública", disse o professor Jürgen Golte. A equipe de arqueólogos do Instituto da América Latina da Universidade Livre de Berlim considera que o assentamento de Sechín Bajo pode ter abrigado de 8 mil a 10 mil habitantes que viviam da agricultura nas terras que margeiam os rios próximos.Redação Terra
Pátio circular é mostra da arquitetura mais antiga da região, segundo arqueólogo
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