UE pressiona EUA por metas de emissões

07 de julho de 2008 • 09h50 • atualizado às 14h25

David Fogarty

São Paulo


A União Européia e grupos ambientalistas ampliaram na segunda-feira a pressão sobre os Estados Unidos para que aceitem a meta de reduzir pela metade até 2050 as suas emissões de gases do efeito estufa, incluindo também metas intermediárias para os países ricos, a serem cumpridas até 2020.

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A questão climática é um dos principais itens da pauta da cúpula do G8 que ocorre de segunda a quarta-feira num hotel de luxo na ilha de Hokkaido, no norte do Japão. Líderes de China, Índia, Brasil, Austrália e outros grandes emissores de carbono participarão de um evento paralelo, batizado de Encontro das Grandes Economias.

Uma fonte da UE disse na segunda-feira que o G8 (que reúne os principais países industrializados) já havia obtido avanços nas questões climáticas, inclusive a respeito das emissões.

"Até agora vimos progressos "progressos difíceis, mas progressos", disse essa fonte, que pediu anonimato. O bloco europeu vai considerar a cúpula como um fracasso se não houver um acordo para reduzir as emissões pela metade até 2050, segundo essa fonte, que citou a existência de afinidades a respeito de outras questões, inclusive o uso de mecanismos de mercado, com base no comércio de créditos para as emissões de carbono.

"Se concordarmos entre nós, então estaremos numa posição muito melhor para discussões com nossos parceiros chineses e outros", disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso.

A China e a Índia, cujas economias crescem rapidamente, produzem cerca de um quarto das emissões humanas de gases do efeito estufa. Esses dois países, porém, dizem que só vão aceitar metas de reduções caso as nações ricas, especialmente os EUA, também o façam.

Os países em desenvolvimento também cobram mais ajuda financeira, mais transferência de tecnologias "limpas" e um compromisso dos ricos com metas intermediárias.

O G8 responde por cerca de 40% das emissões humanas de gases do efeito estufa, sendo os EUA responsáveis por cerca de metade das emissões do G8. O presidente norte-americano, George W. Bush, rejeita metas numéricas de reduções, a não ser que os países em desenvolvimento também as aceitem.

Grupos ambientalistas se dizem pessimistas com a possibilidade de um recuo do governo Bush durante a cúpula, lembrando que no ano passado a reunião já terminara sem progressos palpáveis - apenas a decisão de "considerar seriamente" uma redução de "pelo menos" 50% até 2050.

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