Próteses sofisticadas tornam homens "biônicos"

06 de julho de 2008 • 09h57 • atualizado às 09h57

André Bernardo

Rio de Janeiro


Quando criança, o funcionário público Celso Mascarenhas, 39 anos, não perdia um episódio da série O Homem de Seis Milhões de Dólares. Ele se divertia com as aventuras do astronauta que, após sofrer um acidente espacial, recebe próteses que o tornam capaz de façanhas inacreditáveis. Hoje, Celso acha graça do apelido que ganhou na prefeitura de Campinas: o "homem biônico".

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Para alguém que perdeu a mão direita num acidente com rojões, em 1989, Celso também é capaz de façanhas inacreditáveis. Afinal, já voltou a pintar quadros, digitar computador, usar talheres e até segurar um ovo sem estraçalhá-lo. "Tudo o que quero é independência para fazer as coisas sem ficar pedindo nada a ninguém. Quanto mais versátil a prótese, mais independente eu fico, afirma.

A "mão biônica" de Celso é acionada por um sistema elétrico que capta os seus impulsos cerebrais. Estes sinais são recebidos por microsensores instalados no músculo do antebraço e retransmitidos para o sistema de articulação dos dedos. "A força na mão de Celso é até duas vezes maior que a de um homem na sua idade. Com treino e fisioterapia, ele aprendeu a dosar a força para que pudesse pegar tanto um objeto de metal quanto uma taça de cristal", explica Nelson Nolé, diretor da clínica Conforpés em Sorocaba (SP).

Os avanços tecnológicos são tantos que as próteses estão cada vez mais seguras, modernas e próximas da perfeição. Com os membros inferiores, não é diferente. "Os pés e joelhos computadorizados já permitem ao usuário mais segurança e funcionalidade na hora de executar os movimentos de marcha. O andar fica mais harmonioso e menos desgastante", afirma José André Carvalho, diretor do Instituto de Próteses e Órteses (IPO).

A "perna biônica" do surfista Alcino Neto, 38 anos, leva ele para todo lugar. Até para dentro do mar, onde se transforma no Pirata. Ele tinha 14 anos quando perdeu a perna esquerda em um acidente de moto. Aos 17, porém, já surfava e, aos 24, montou uma escolinha de surfe no Guarujá para alunos "especiais". "Não só superei os meus limites, como passei a ensinar os outros a superar os seus", orgulha-se.

Ao longo dos anos, não foi só a tecnologia das próteses que evoluiu. A matéria-prima para a confecção delas também. Ao contrário de modelos mais antigos, feitos de madeira, borracha ou náilon, as novas são de fibra de carbono. "A fibra de carbono é tão resistente quanto o aço e mais leve que o alumínio. Não é à toa que o cockpit dos carros de Fórmula Um é de fibra de carbono", afirma Nelson.

Segundo os especialistas, o valor da prótese depende do nível tecnológico dela. Um joelho eletrônico, por exemplo, sai em torno de R$ 100 mil. "As próteses biônicas ainda estão além da capacidade do SUS. Do ponto de vista tecnológico, o SUS só fornece equipamentos mais convencionais", lamenta José André.

"Olhos e ouvidos biônicos"
Um pequeno dispositivo eletrônico é inserido no cérebro do deficiente auditivo e transforma as ondas sonoras em sinais elétricos. É assim que funciona o implante coclear, técnica já popularmente conhecida como "ouvido biônico". Calcula-se que, no mundo inteiro, 100 mil pessoas já tenham se submetido à cirurgia, mil delas só no Brasil. A modelo Brenda Costa, 25 anos, é uma delas. "A surdez nunca me impediu de levar uma vida normal. Não é à toa que já desfilei várias vezes no Sambódromo", diz ela, que narrou sua experiência na autobiografia Bela do Silêncio.

Se o "ouvido biônico" já é uma realidade, o "olho biônico" ainda não passa de um sonho. Cientistas americanos desenvolveram uma prótese que permitiria que pessoas cegas voltassem a reconhecer formas, luzes e movimentos. Eles são os primeiros a admitir que o "olho biônico" está longe da perfeição, mas as imagens produzidas por um chip implantado atrás do globo ocular já ajudariam o usuário a se locomover em segurança e a evitar obstáculos.

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