Arqueologia

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Sexta, 23 de abril de 2004, 17h34

Machu Picchu teria valor imobiliário de US$ 90 mi

A cidadela sagrada de Machu Picchu, o impressionante legado de pedra dos incas e principal atração turística do Peru, tem um valor imobiliário de US$ 90 milhões, segundo teoria desenvolvida por um especialista em tributos divulgada em Lima, rebatida por historiadores. A valorização material do santuário, cuja idade remonta a meados do século XV, foi feita trazendo para os valores de hoje o movimento de caixa que o imóvel gera, explicou o tributarista Flavio Graf.

As variáveis utilizadas por Graf são as 300 mil pessoas que visitam anualmente Machu Picchu - situada no departamento de Cusco -, número que, multiplicado pelos US$ 15, que é o preço médio do tíquete de entrada, representa um fluxo de caixa de US$ 4,5 milhões.

Após aplicar "5% de desconto do risco soberano peruano de longo prazo", ele conclui que Machu Picchu - situada numa montanha cercada pela flora amazônica no cânion do rio Urubamba - valeria US$ 90 milhões.

Graf propõe o aumento do valor do ingresso para entrar na cidadela, pois o preço da entrada representa para o turista estrangeiro pouco mais de 1% do custo total de sua viagem ao Peru, estimado em US$ 1,8 mil.

O tributarista explicou que para avaliar Machu Picchu como "unidade de negócios", descartou o "método de comparação" com outro imóvel similar e o "método de custo da construção", que inclui saber o valor do terreno e pelo menos quanta mão-de-obra trabalhou na obra. A avaliação de Graf causou arrepios nos especialistas culturais.

Luis Lumbreras, presidente do Instituto Nacional de Cultura (INC), disse que antes que um bem comercial que renda dividendos, "Machu Picchu tem um valor intrínseco que lhe permitiu ser incluída na lista dos dez monumentos mais importantes do mundo". "Eu sacralizaria o monumento, no sentido de ser o testemunho do esforço humano para apresentá-lo como o vemos hoje: uma obra de arte", disse Lumbreras.

Além disso, o especialista observou que o aumento do valor da entrada ao santuário poderia afetar a afluência do turista estrangeiro que poupa seu dinheiro durante o ano para viajar ao Peru, tendo Machu Picchu como destino central.

A historiadora Mariana Mould de Pease considerou, por sua vez, "bastante arriscado avaliar em dinheiro o patrimônio cultural de um país". Ela disse que Machu Picchu, antes de ser o principal centro turístico do Peru, "é nosso principal bem cultural".

"Não discuto a validade da teoria de avaliação do santuário, mas lhe falta o valor agregado da divulgação feita por (o descobridor americano) Hiram Bingham ao colocar Machu Picchu na imaginação popular e internacional", concluiu.

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