Reduzir mudança climática é indispensável, diz ONU

30 de junho de 2008 • 21h00 • atualizado às 23h09

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri, advertiu hoje de que reduzir os efeitos da mudança climática é indispensável para conseguir o desenvolvimento econômico dos países mais pobres.

Pachauri foi o encarregado de inaugurar, junto ao economista britânico Nicholas Stern, a sessão de alto nível de 2008 do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.

"Temos uma pequena janela de tempo na qual podemos implementar as medidas de combate necessárias para limitar os efeitos da mudança climática ou inclusive evitar suas conseqüências", indicou em entrevista coletiva.

Ele afirmou que o grande desafio representado pelo aquecimento global é a causa de um tipo de desenvolvimento econômico que não é sustentável, e que terminará por solapar todos os avanços econômicos conseguidos pelo planeta se o modelo não mudar.

Pachauri assegurou que frear a acumulação de dióxido de carbono na atmosfera requereria fornecer a este esforço entre 2% e 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) global até 2030, o que, por sua vez, teria como efeito um possível aumento da inflação global em torno a 3%.

Outros cenários apontam que investimentos em novas tecnologias, segurança energética e menos poluição terminam por compensar o custo dessas novas técnicas.

Nesse sentido, Stern ressaltou que a opção aos responsáveis da economia mundial não é optar pelo desenvolvimento frente à mudança climática, ou vice-versa.

"A mudança climática e o desenvolvimento estão inexoravelmente vinculados, e, se falhamos em um, falhamos no outro", avaliou.

Ele afirmou que manter o mesmo modelo econômico baseado nos combustíveis levaria a que o mundo entrasse no século XXII com um aumento da temperatura média global de cinco graus Celsius, algo que a Terra não experimentou há entre 30 bilhões e 50 bilhões de anos.

Os efeitos na vida do planeta de mudanças de temperatura desta ordem desencadearia migrações maciças e facilitaria a explosão de conflitos, afirmou.

Segundo suas estimativas, reduzir em 50% até 2050 as emissões de gases que provocam o efeito estufa custaria o equivalente a 2,6% do PIB global.

Stern pediu aos países mais industrializados para assumir sua responsabilidade e se comprometer com uma redução das emissões de 80%.

Ao mesmo tempo, reconheceu que o combate aos efeitos da mudança climática não podem ser alcançados sem um compromisso similar das economias emergentes, como China e Índia, que são as novas fontes maciças de dióxido de carbono.

A sessão de alto nível do ECOSOC que se inaugurou hoje e se estenderá até 3 de julho tem como meta revisar o estado da cooperação internacional para financiar o desenvolvimento dos países mais pobres.

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