Ímã na língua substitui mouse para deficientes físicos

30 de junho de 2008 • 10h17 • atualizado às 16h44

Da BBC Brasil

São Paulo


Um grupo de cientistas do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, apresentou um dispositivo que permite a deficientes físicos controlar uma cadeira de rodas ou operar o computador mexendo apenas a língua.

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Chamado de Tongue Drive (Impulso da Língua), o aparelho é um ímã do tamanho de um grão de arroz que deve ser implantado da ponta da língua dos pacientes e "substituiria" o cursor do mouse de um computador ou o joystick que controla os movimentos das cadeiras de rodas elétricas.

O movimento do dispositivo magnético é detectado por sensores - que podem ser acoplados a um capacete ou a um aparelho ortodôntico bucal - responsáveis por transmitir os sinais para um computador portátil que pode ser carregado na roupa ou na cadeira de rodas do usuário.

Segundo o professor Maysam Ghovanloo, que desenvolveu o dispositivo ao lado do aluno Xueliang Huo, a língua foi escolhida porque não é controlada pelo cérebro por meio da medula espinhal - danificada nos tetraplégicos.

"Ao contrário dos pés e das mãos, que são controlados pelo cérebro através da medula espinhal, a língua é diretamente conectada ao cérebro por um nervo cranial que geralmente escapa dos danos causados em ferimentos na medula e das doenças neuromusculares", disse Ghovanloo.

"Além disso, os movimentos da língua são rápidos, precisos e não requerem muita atenção, concentração ou esforço", explica.

Avanço
A equipe de pesquisadores realizou testes do aparelho com 18 pessoas saudáveis, que operaram o mouse do computador e uma cadeira de rodas elétrica apenas com o movimento da língua.

No teste com os computadores, os participantes testaram seis comandos diferentes que substituiriam o clique e o movimento do mouse - esquerda, direita, para cima, para baixo, clique único e dois cliques.

De acordo com os resultados, a resposta do computador para os comandos dados pela língua foi realizada em menos de um segundo e os participantes tiveram quase 100% de precisão nos comandos.

Um grupo de comandos especial pode também ser desenvolvido para adaptar-se às habilidades e necessidades dos pacientes.

"A pessoa pode potencialmente treinar nosso sistema para reconhecer o toque em dentes diferentes como comandos diferentes", explica o cientista.

Os cientistas apresentaram o novo dispositivo durante um encontro da Sociedade Americana de Engenharia da Reabilitação e Tecnologia Assistiva, em Washington, nos Estados Unidos.

A equipe ressaltou que, ao contrário de outros dispositivos, o novo aparelho é não-invasivo e seu implante não requer cirurgias complicadas no cérebro.

O próximo passo será testar o dispositivo em pacientes com deficiências graves. "Esse dispositivo pode revolucionar o campo da tecnologia assistiva ao ajudar indivíduos que sofrem de deficiências sérias, como aqueles que sofreram danos graves na medula espinhal, a ter uma vida mais independente, ativa e produtiva", afirmou Ghovanloo.

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