Atualizada às 11h34
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Em entrevista coletiva, uma das autoras do relatório, Lindsay Knight, afirmou que "o estigma, a ignorância e a falta de ação política" levaram a milhões de mortes que poderiam ter sido evitadas.
Ela lembrou que, "segundo o Unaids (Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), desde que começou a epidemia, em 1981, 25 milhões de pessoas morreram, e sete mil pessoas são infectadas com o vírus todos os dias".
"Milhões de vidas poderiam ser salvas se os líderes religiosos e políticos adotassem ações" para que se dê prioridade a esta doença e voltadas a colocar fim ao estigma.
O Relatório da Cruz Vermelha considera a aids como "um desastre" devido às caóticas conseqüências da doença. Nos países mais afetados da África Subsaaariana, onde as taxas de incidência chegam a 20%, a expectativa de vida da população caiu à metade, e as conquistas em desenvolvimento foram reduzidas.
Além disso, os desastres naturais e os provocados pelos homens, como guerras e conflitos, interrompem os serviços básicos e intensificam outros fatores de propagação da epidemia.
"Após uma catástrofe, como um terremoto, por exemplo, nada funciona e há poucas possibilidades de realizar medidas de prevenção da aids", disse o especialista.
Em casos de violência e conflitos, acrescentou, ocorrem crimes como estupro de mulheres e meninas que contribuem para espalhar a epidemia.
Vários especialistas que participaram do relatório destacaram que "não criminalizar" os portadores de HIV é uma das chaves para evitar a propagação, e, por isso, fizeram um apelo aos governos para que o vírus seja incorporado em todas as formas de ajuda humanitária.
A aids é a quinta principal causa de mortalidade nos países de renda média, a a terceira nos de baixa renda, e a primeira na África Subsaariana. Esta última região contabiliza quase dois terços do número mundial de pessoas soropositivas, segundo o Unaids.
O relatório destaca as catastróficas conseqüências, não só em saúde, mas sociais e econômicas, para muitos países da África, com exemplos como que Botsuana perdeu a causa da aids, entre 1999 e 2005, 17% da força de trabalho no setor da saúde. Ou que, na África do Sul, 21% dos professores de idades compreendidas entre 25 e 34 anos vivem com HIV.
EFE
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