Maldivas: segurança ambiental deve ser "direito humano"

24 de junho de 2008 • 14h21 • atualizado às 16h09

O presidente das ilhas Maldivas, Maumoon Abdul Gayoom, propôs hoje na primeira sessão do Fórum Global Humanitário que a comunidade internacional reconheça "a segurança ambiental como um direito humano".

Além disso, o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), Yvo de Boer, após denunciar a "criminosa" falta de liderança diante da mudança climática, afirmou que o mundo deverá investir US$ 20 trilhões nos próximos 25 anos para se abastecer da energia necessária para manter o atual crescimento econômico.

De Boer advertiu que essa quantidade, "se não for investida sabiamente, poderia contribuir para um aumento de 50% dos gases causadores do efeito estufa".

Gayoom, uma das vozes dos milhões de afetados pela mudança climática que puderam ser ouvidas hoje, explicou como essa situação atinge os pequenos territórios insulares, onde o aumento do nível do mar deixou de ser uma ameaça para se transformar em realidade.

"Por que o mundo não toma medidas para corrigir esta situação?", questionou o presidente maldívio. "Estamos pagando pelo fato de, até agora, só se ter prestado atenção aos dados científicos da mudança climática, sem pensar no que isso significa para as pessoas comuns, que perdem suas casas, suas plantações e suas terras", destacou Gayoom.

Hoje, jovens de vários países em desenvolvimento, como Brasil, Índia, Ilhas Marshall e Togo, deram relatos emocionados sobre como suas comunidades estão sofrendo com as conseqüências da dramática transformação dos padrões climáticos.

"Na minha ilha, estamos testemunhando o desaparecimento de praias, da vegetação e de terras pelo aumento do nível do mar", disse James Bing, das Ilhas Marshall.

Guilherme Pastore falou da seca que afeta a população do Nordeste brasileiro, enquanto as enchentes atingem as populações do Sul, tudo isso enquanto se agrava o desmatamento da Amazônia.

Com esta mesma preocupação, o enviado especial da ONU para a mudança climática e ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, lembrou a importância de mobilizar o setor privado para obter imensos recursos necessários para reverter essa tendência.

Para conseguir esses recursos privados, segundo Lagos, os países em desenvolvimento devem contar com reguladores e instituições fortes, e insistiu que a lógica com a qual abordam o problema deve mudar.

"Por que ao invés de pagar para plantar uma árvore não é mais razoável pagar para não cortá-la?", perguntou Lagos.

Já De Boer disse que é preciso que o mundo enfrente junto o desafio da rápida degradação do meio ambiente. Os políticos, de acordo com De Boer, devem assumir sua responsabilidade pelas promessas que fazem nas reuniões internacionais e que depois descumprem.

Em seu discurso de abertura, o ex-secretário-geral das Nações Unidas e presidente do Fórum Global Humanitário, Kofi Annan, disse que os países pobres não devem pagar pelas "ações e erros de outros" e que, em conseqüência, as nações industrializadas devem ajudá-los a crescer sem causar danos ao meio ambiente.

O Fórum Global Humanitário, entidade fundada por Annan, dedica sua primeira reunião anual à analise do impacto da mudança climática na humanidade.

Para isso, Annan convocou representantes de Governos, organizações internacionais e do setor privado para o evento de dois dias em Genebra, onde foi estabelecida a sede do Fórum Global Humanitário.

A reunião procurar criar idéias e recomendações inovadoras frente às negociações prévias à conferência mundial, que será realizada em 2009 em Copenhague, onde deve ser assinado um novo acordo internacional sobre mudança climática que entrará em vigor em 2012.

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