Atualizada às 13h37
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O estudo, incluído na mais recente edição da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, pode levar profissionais da área a optar por outros tipos de anestésicos. Um especialista britânico disse que resolver o problema da dor pós-operatória é hoje uma prioridade entre anestesistas.
Alho e pimenta malagueta
Os cientistas sabem há algum tempo que certas drogas, como o gás isoflurano, são eficientes em levar o paciente ao estado de inconsciência e mantê-lo nessas condições, mas também são agentes químicos irritantes.
Alguns anestesistas usam drogas analgésicas para minimizar esse efeito antes mesmo de ministrar o anestésico. O novo estudo, no entanto, sugere que a ação irritante dos anestésicos não é passageira, e permanece durante muito tempo após os efeitos do analgésico e da anestesia terem passado.
Segundo os cientistas, essas drogas agem nos mesmos receptores das células nervosas que são ativados quando em contato com substâncias como alho, mostarda e pimenta malagueta.
Se estimulados de forma muito intensa, os receptores podem não apenas produzir uma sensação imediata de dor, mas também podem levar a uma supersensibilização a longo prazo dos sensores da dor no sistema nervoso. No paciente, a conseqüência pode ser um aumento significativo da dor após a cirurgia.
Experiência
Como parte do estudo, os pesquisadores manipularam o DNA de ratos, retirando dos animais dois receptores nervosos específicos. Eles verificaram que os animais não apresentaram sinais de dor após ser expostos aos gases anestésicos.
O responsável pelo estudo, Gerard Ahern, disse: "Não há um reconhecimento de que essas drogas resultem na liberação de substâncias químicas que recrutam células do sistema imunológico para os nervos, o que causa mais dor de inflamação".
"A escolha do anestésico parece ser um determinante importante na dor pós-operatória". Ahern disse que embora esse efeito possa ser reduzido pelo uso de outros tipos de anestésicos, as alternativas disponíveis podem não ser tão eficientes em outros aspectos.
Comentando o estudo, Ian Power, um especialista da University of Edinburgh, na Escócia, disse que a dor pós-operatória continua a ser um problema sério, apesar de avanços no campo da anestesia nas últimas décadas.
"Estamos muito conscientes de que a dor aguda pós-operatória pode persistir e tornar-se crônica e duradoura, e temos procurado as razões para isso - talvez essa pesquisa possa esclarecê-las."
Outro especialista, Richard Langford, do Bart's e The London NHS Trust, disse que os resultados são interessantes, mas ressaltou que vários fatores se combinam para produzir a sensação de dor, como as proporções da cirurgia, a disposição mental e o grau de ansiedade do paciente.
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