Dinossauros teriam cruzado continente pré-histórico

17 de junho de 2008 • 11h52 • atualizado às 11h59
Fóssil seria elo entre dinossauros australianos e sul-africanos
Fóssil seria elo entre dinossauros australianos e sul-africanos
17 de junho de 2008
National Geographic

Um fóssil raro encontrado na Austrália sugere que dinossauros foram capazes de percorrer o vasto continente pré-histórico de Gondwana, de acordo com cientistas. O fóssil com 100 milhões de anos de idade é de um dinossauro carnívoro, um terópode, estreitamente aparentado ao Megaraptor namunhuaiquii, um carnívoro de grande porte e garras pontudas que vivia no que hoje é a Argentina, diz uma equipe comandada por Nathan Smith, do Museu Field, de Chicago.

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A descoberta pode ajudar a redefinir o mapa do mundo na era dos dinossauros, segundo os pesquisadores, porque o dinossauro australiano recém-encontrado demonstra que os animais eram capazes de atravessar toda a extensão de Gondwana no período cretáceo, entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás.

Isso por sua vez sugere que as massas terrestres que um dia formaram parte de Gondwana se separaram mais tarde do que usualmente estimado.

O estudo se baseia em um osso das patas superiores do terópode, descoberto em Dinosaur Cove, no sudeste da Austrália, em 1989. O fóssil tem traços únicos que conectam de maneira sólida ao megaraptor sul-americano, descrito pela primeira vez em 1998, de acordo com o Smith.

"O megaraptor dispõe de uma mão de grande porte dotada de uma garra em forma de clava, e seu braço tem formato bastante estranho, de modo que se tivéssemos de escolher um osso que merece destaque no espécime seria a ulna", disse Smith.

O comprimento do osso, 19,3 cm, sugere que o dinossauro australiano tinha cerca de metade do tamanho do megaraptor. A diferença de tamanho pode indicar que se trata de uma espécie diferente, ou que o espécime fosse um exemplar juvenil, disse Smith.

O fóssil australiano ainda não nomeado, mas está descrito na revista Proceedings of the Royal Society.

Até agora, os cientistas acreditavam que os animais australianos estivessem isolados das formas de vida de outras porções de Gondwana, ao longo da maior parte do cretáceo, por causa da geografia e do clima, disseram os autores do estudo.

"O que temos agora é uma demonstração de que deve ter havido algum intercâmbio de animais entre a Austrália e as demais porções de Gondwana, cerca de 100 milhões de anos atrás", disse Smith.

O novo estudo também oferece modelos alternativos para a separação de Gondwana. A idéia dominante era a de que a África e a América do Sul se separaram de Gondwana Oriental - que incluía a Antártida, Austrália, Índia e Madagascar - cerca de 138 milhões de anos atrás. Os modelos alternativos mostram a África se separando primeiro.

Smith enfatiza que o novo estudo não confirma essas novas teorias. Mas "acredito que no futuro começaremos a encontrar mais (fósseis australianos) que realmente demonstrarão estreita afinidade com outros animais da América do Sul", ele disse.

O casal australiano que liderou a escavação do terópode não está convencido quanto à nova teoria. Patricia Vickers-Rich, paleontologista da Universidade Monash, em Victoria, diz que "isso é interpretação demais com base em um só osso".

O registro de fósseis de dinossauros australiano "é muito limitado", ela disse, "e por isso essas grandes generalizações sobre biogeografia estão se baseando em provas bastante limitadas".

Tom Rich, curador de paleontologia de vertebrados no Museu de Victoria, concorda com o comentário de sua mulher. Ele acrescentou que outros dinossauros australianos do período parecem mais semelhantes aos da Ásia que aos da América do Sul. O motivo disso "é um completo mistério para mim", porque um mapa-múndi da época mostraria a Austrália muito mais longe da Ásia do que é o caso hoje.

Tradução: Paulo Migliacci M.E.

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