Marcapasso cerebral é testado contra depressão

27 de maio de 2008 • 15h23 • atualizado às 15h28

Cientistas estão testando marcapassos cerebrais que podem agir como antidepressivos alterando o funcionamento da rede de neurônios, segundo a agência AP. O uso de aparelho de profunda estimulação cerebral ainda está engatinhando, mas os resultados atuais são animadores.

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Os aparelhos já foram implantados em cerca de 40 mil pacientes para tratar tremores do mal de Parkinson ou doenças relacionadas em todo o mundo, mas as doenças psiquiátricas ainda são muito complexas e necessitam de maior investigação. Não são conhecidas ainda todas as causas da depressão, mas pesquisas nessa área sugerem fortemente influências bioquímicas importantes para a regulação de estado afetivo.

Um vídeo mostra uma voluntária da pesquisa visivelmente se animando conforme o marcapasso em seu cérebro é ligado. "Estou começando a sorrir", diz a paciente, surpresa.

Novos relatórios neste mês mostram que alguns dos pacientes mais difíceis, que não conseguiram melhora com medicamentos, psicoterapia e até o controverso tratamento de choque, estão encontrando um alívio duradouro.

Seis dos 17 pacientes com forte depressão estavam em remissão um ano após o uso do aparelho e quatro se mostraram claramente melhor. Além disso, mais da metade de 26 voluntários obsessivos-compulsivos demonstraram melhoras em três anos, de acordo com uma equipe de pesquisadores da Clínica Cleveland, da Brown University e da universidade belga de Leuven.

"Nem todos os pacientes melhoram, mas quando eles respondem ao tratamento, é bem significativo", disse Helen Mayberg, da Emory University, que implantou aparelhos em 50 pacientes com depressão. Ela estima que quatro de cada seis respondem ao tratamento, com melhoras importantes.

A idéia por trás do aparelho tem credibilidade, segundo Wayne Goodman, do Instituto Nacional de Saúde Mental americano. As cirurgias algumas vezes ajudam pacientes de difícil tratamento destruindo caminhos de tecido cerebral que funcionam mal. Com o uso do aparelho, eletrodos são posicionados em locais semelhantes, mas não destroem o tecido, e os sinais elétricos podem ser ajustados ou até desligados.

Goodman alerta que ainda são necessárias mais pesquisas antes de estréia do aparelho na medicina mundial, e considera preocupante o fato de os eletrodos já estarem amplamente disponíveis, com centros que não tiveram um treinamento próprio oferecendo a cirurgia de implante do material.

Redação Terra
 
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