Proteína atua em vício e processo de aprendizagem

21 de maio de 2008 • 18h44 • atualizado às 19h29

Uma equipe de pesquisadores franceses demonstrou os efeitos do consumo de substâncias viciantes em alguns mecanismos de aprendizagem em ratos, em estudo publicado nesta quarta-feira no site da revista Nature.

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Já estava provado cientificamente que as substâncias que causam a dependência funcionam através da liberação no cérebro de uma molécula, chamada dopamina, segregada normalmente como "recompensa" por uma ação considerada positiva.

O cérebro tenta então "reproduzir as atitudes" que levam à obtenção de dopamina, o que aumenta a motivação do indivíduo. A equipe, liderada por Jean-Antoine Girault, diretor de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), se concentrou nos mecanismos moleculares vinculados a uma proteína, a DARPP-32, que, ativada pela dopamina, se acumula no núcleo dos neurônios em uma região do cérebro conhecida como striatum.

Essa acumulação de DARPP-32 é observada também em ratos de laboratório quando aprendem a passar o focinho por um buraco para conseguir comida.

Os pesquisadores analisaram os resultados obtidos com ratos normais e ratos com proteínas DARPP-32 funcionalmente desativadas. A princípio, os cientistas observaram que os ratos geneticamente modificados se tornaram menos sensíveis à ação de drogas injetáveis, como cocaína e morfina, demonstrando o papel da DARPP-32 no mecanismo do vício.

A mutação da proteína causa também uma redução da motivação dos ratos para obter comida, provando assim que a proteína em questão desempenha um papel fundamental nos mecanismos de aprendizagem e motivação.

O estudo permite compreender melhor os mecanismos normais de aprendizagem e as "alterações" causadas por substâncias viciantes, segundo os pesquisadores.

Além disso, o estudo abre uma nova via de pesquisa sobre o tratamento do vício e de algumas doenças que envolvem a produção de dopamina. Outra perspectiva, aponta o comunicado de imprensa do INSERM, é melhorar o tratamento do mal de Parkinson, no qual a dopamina desempenha papel fundamental.

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