Medicina robótica ajuda a treinar médicos

18 de maio de 2008 • 09h04 • atualizado às 13h57
Futuros médicos treinam procedimentos
Futuros médicos treinam procedimentos
18 de maio de 2008
O Dia

No Centro de Treinamento Berkeley, em Botafogo, no Rio de Janeiro, seis robôs de última geração ajudam no treinamento de alunos de Medicina. Eles são utilizados em diversas simulações, programados para reagir como humanos diante de qualquer procedimento: de ataques cardíacos a choques anafiláticos. Os mais modernos têm batimentos cardíacos, derramam sangue e suas pupilas reagem à luz.

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"O princípio da Berkeley é o mesmo da indústria de aviação. Antes de pilotar uma aeronave, o piloto passa algumas horas no simulador de vôo. Com a Medicina, não é diferente. Antes de colocar as mãos num paciente de verdade, o aluno precisa exercitar o que aprendeu de forma real e segura", explica o coordenador científico da Berkeley, Sérgio Gelbvaks.

Procedimentos reais
No Rio, os robôs apenas exercem o papel de paciente. Mas, em São Paulo, alguns são utlizados em operações de pacientes nos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein.

Os médicos se beneficiam da precisão e firmeza de movimentos das máquinas. O "robô-cirurgião" da Vinci, por exemplo, tem quatro braços. Na ponta de um deles, há câmera que emite imagens em 3D. Nos outros três, instrumentos cirúrgicos, como pinças e bisturis.

A tecnologia permite que o médico faça a cirurgia até de outro país, já que o robô pode ser pilotado de qualquer distância, a partir de um terminal de computação.

"Como o médico fica sentado diante de um console e não de pé ao lado do paciente, não se cansa tanto em cirurgias demoradas", avalia o urologista Anuar Mitre, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

Vantagem para o paciente
O robô não facilita só a vida dos médicos. Os pacientes também saem ganhando com a medicina robótica, uma vez que a máquina realiza cortes menores que um centímetro. Em uma videolaparoscopia - técnica cirúrgica minimamente invasiva feita através de pequenas incisões na pele -, o corte é pelo menos dez vezes maior.

"Essa precisão cirúrgica ajuda a reduzir as chances de dor e de sangramento no pós-operatório. Conseqüentemente, diminui também a necessidade de transfusão de sangue. Isso sem falar que a cirurgia robótica aumenta as chances de extrair o câncer de próstata sem causar prejuízos à potência sexual", ressalta Cássio Andreoni, do Albert Einstein.

Um dos primeiros brasileiros a se submeter a uma cirurgia com o da Vinci no Sírio-Libanês foi o jornalista José Flávio Tiné, 71 anos. Dois dias após a cirurgia, Flávio já encaminhava pelos corredores do hospital. No terceiro dia, ele já voltou para casa. "Nem precisei levar ponto. Se a cirurgia fosse convencional, estaria com uma cicatriz do tamanho de uma cesariana", afirma.

Redação Terra
 
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