Egiptólogos conseguiram remontar o primeiro retrato conhecido de um faraó visto de frente, e não de perfil. O arqueólogo espanhol José Manuel Galan disse que o retrato parece mostrar ou Tutmés III ou sua mãe, Hatshepsut. O desenho foi feito em uma placa de madeira que estava enterrada diante de um túmulo na cidade de Luxor.
Hatshepsut, que muitas vezes era retratada como homem, governou concomitantemente com o filho por cerca de 20 anos, a partir de 1.503 a.C. Luxor, também conhecida como Tebas, era a capital da dinastia.
O achado é incomum porque os egípcios sempre se retratavam de perfil. Os únicos retratos frontais eram os de estrangeiros, de demônios e do deus anão Bes, que seria uma importação cultural. Galan acredita que o retrato real fosse um rascunho para a construção de uma estátua ou um desenho casual feito por estudantes de arte.
A placa de madeira também contém outra versão do retrato desenhado por mãos menos habilidosas, o que sugere que um estudante pode ter tentado copiar o trabalho de seu professor, disse o arqueólogo.
Os egiptólogos encontraram um pedaço do desenho em 2002 e outros 13 em 2003. Desde então, vêm remontando a imagem e preparando-a para exposição no museu de Luxor.
Galan disse estar certo de que se trata de um faraó porque a figura retratada usa uma espécie de coroa - um ornamento de tecido - que só os reis usavam. A placa de madeira mede 50 cm por 31 cm e está coberta por estuque amarelo. O desenho foi feito em tinta preta e possui um quadriculado vermelho do tipo usado para copiar proporções.
Segundo Galan, a placa pode ser parte do aparato funerário de um funcionário público chamado Djehuty, que trabalhava para Hatshepsut e cujo túmulo fica próximo do local em que o desenho foi achado, ou de algum membro da família.
O egiptólogo trabalha no Conselho Supremo Espanhol para a Pesquisa Científica, em Madri.
Reuters
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Retrato mostra o possível faraó
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