O sonho de "ressuscitar" animais de estimação tornou-se realidade nos Estados Unidos, onde a empresa Genetic Savings and Clone, com sede perto de São Francisco, realiza clonagem de gatos por US$ 50 mil "a cópia".
A companhia californiana, que anunciou em 2002 a primeira clonagem de um felino, o "Cc", a partir do DNA da célula de uma gata adulta, deve clonar nove felinos este ano, seis para venda e três para exposição em salões comerciais.
A Genetic Savings and Clone tenta agora reeditar a experiência com outro grande amigo do homem, o cachorro. "Tem gente nos trazendo uma bola cheia de saliva de cachorro perguntando se podemos clonar o animal a partir dela", explica Ben Carlson, diretor-adjunto da empresa.
"Recebemos um grande número de pedidos. Os proprietários trazem um dente ou pêlos do animal, mostram o local onde enterraram seu mascote meses atrás. Temos que explicar que não podemos fazer nada a partir disso", acrescentou.
Para realizar a clonagem, a empresa deve fazer uma retirada de DNA do estômago do animal vivo ou imediatamente após sua morte. Centenas de clientes já pediram que os genes de seus mascotes sejam guardados em "bancos" genéticos da empresa, à espera da abertura de um eventual mercado de cachorros clonados.
Connie Gombert espera com este método "ressuscitar" sua amada Maggie, uma cadela da raça pastor alemão "excepcional", que era "o animal ideal".
Pouco sucesso
Mas os cientistas advertem que há poucas chances de realizar este sonho. "A taxa de sucesso é baixa", explicou David Magnus, co-diretor do serviço de ética biomédica na famosa Universidade de Stanford.
"Foram necessárias 270 tentativas para criar a ovelha Dolly", o primeiro animal clonado em 1996. "Para cada sucesso, há muitos nascimentos de animais deformados", acrescentou.
Além disso, é cientificamente impossível recriar a cópia do animal desejada pelos proprietários, a clonagem permite apenas copiar sua genética.
David Magnus reconhece que faria tudo para "copiar" seu cachorro Rudy "tal como era", mas admite que "ainda que existisse um clone de Rudy, não seria ele".
Os cientistas não são os únicos a questionarem a ética e propósito das atividades da Genetic Savings and Clone. As associações de defesa dos animais vêem nisso um desperdício de dinheiro em um momento em que 17 milhões de animais domésticos são mandados para abrigos porque não têm quem os adote.
"Genetic Savings and Clone é um nome inteligente para uma atividade diabólica", denunciou Mary Beth Sweetland, da associação Para um Tratamento Ético dos Animais (Peta).
AFP
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