Catarina causa estragos em SC e provoca 2 mortes

28 de março de 2004 • 08h14 • atualizado às 08h14
O Catarina provocou ondas com picos de até cinco metros de altura
O Catarina provocou ondas com picos de até cinco metros de altura
28 de março de 2004
Waves/Terra

O ciclone "Catarina" já deixou Santa Catarina, mas a chuva e os ventos continuam. Foram registrados muitos estragos no Estado, especialmente ao longo da BR-101. Houve ao menos duas mortes, cerca de 3 mil pessoas em Santa Catarina tiveram de abandonar suas casas destruídas ou danificadas por ventos, chuva ou ondas. No Rio Grande do Sul, outras 150 famílias também ficaram desabrigadas. Cinco pescadores estão desaparecidos no litoral catarinense, e parte da BR-101 está interditada.

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    Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida quando, ao buscarem abrigo na BR-101, tiveram seu carro atingido pela queda de uma árvore. De acordo com a Defesa Civil do RS, um homem de 61 anos foi encontrado morto próximo à sua casa no bairro Cortado, em Torres, no RS, provavelmente devido aos fortes ventos e chuvas que atingiram a cidade. A Defesa Civil do RS não confirma a morte de uma criança em Torres. A Defesa Civil de SC havia divulgado que a criança teria morrido com o desabamento de uma casa na cidade gaúcha.

    De acordo com o capitão Márcio Luiz, de SC, cinco pessoas estão desaparecidas e há 30 com ferimentos leves no Estado. O capitão disse que ainda não é possível divulgar o número de desabrigados e desalojados porque há problemas de acesso, de comunicação e de fornecimento de energia elétrica.

    Segundo a Defesa Civil, a situação no Estado é tranqüila porque o ciclone se dissipou. "Não temos a influência do ciclone ou furacão como foi anunciado", afirmou o capitão. Equipes de socorro da Defesa Civil atuam nas áreas atingidas para garantir a estabilidade.

    Ao longo da madrugada, ventos de até 150 km/h atingiram a divisa dos Estados, desde Laguna (SC) até Torres (RS). Quarenta municípios catarinenses foram atingidos. Os mais castigados são Maracajá, Turvo, Meleiro, Araranguá, Arroio do Silva, Sombrio, Imbé do Sul e Ermo. O ciclone também passou pelo município de São Joaquim, na região do planalto serrano, onde causou problemas.

    A cidade catarinense de Criciúma foi uma das mais atingidas. Conforme informações do JB Online, cerca de 1,2 mil pessoas ficaram desalojadas. A Defesa Civil está com dificuldade para abrigá-las. Mais de 100 casas foram destelhadas e 20 caíram. Em toda a região, 20 mil residências foram atingidas. A rede elétrica teve 250 transformadores destruídos e mil postes derrubados pela ventania. A energia está sendo restabelecida aos poucos.

    A Defesa Civil, que ainda faz o levantamento de dados sobre os estragos, informou que escolas e igrejas deverão abrigar os atingidos. A entidade pede que a população ajude enviando colchões, cobertores e alimentos. A Assembléia Legislativa de Santa Catarina disponibilizou um posto para recolhimento de donativos.

    A Base Aérea colocou seis aeronaves à disposição para o resgate e auxílio da população, mas estão impedidas de decolar em razão do forte vento que ainda atinge a região.

    BR-101 interditada
    Na BR-101, em Santa Catarina, o ciclone causou a morte de um homem que estava dentro de um carro que foi atingido por uma árvore. Cerca de 50 árvores caíram entre Araranguá e Criciúma, no Estado catarinense. A rodovia deve ser evitada por motoristas. De acordo com informações da Defesa Civil, até o meio da tarde a rodovia deve ser liberada. Para sair de Santa Catarina, a alternativa é pegar a BR-116, que está livre nos dois sentidos.

    A Marinha brasileira está enviando um navio para a costa catarinense para ajudar nas buscas a cinco pescadores que desapareceram depois que seu barco afundou na área próxima ao Farol de Santa Marta, perto de Laguna. Uma outra embarcação, com 2 pessoas, está à deriva e também é procurada.

    Torres decreta estado de emergência
    Integrantes da entidade e soldados da Brigada Militar estão nas ruas de Torres socorrendo os desabrigados. De acordo com a Rádio Gaúcha, todos os pontos das cidade foram atingidos e muitas casas de madeira foram completamente destruídas. Cerca de 350 pessoas foram descolacadas para escolas e abrigos. Falta luz e água e não há sinal de telefonia celular. Muitas moradias estão sem telefone fixo.

    De acordo com a rádio, o governador do RS, Germano Rigotto, pensou em evacuar a cidade de Torres quando as informações sobre o ciclone foram divulgadas. Ele mudou de idéia ao saber, pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que os ventos não seriam tão intensos.

    Ciclone perde forças
    Segundo meteorologistas da Epagri/Climerh, o ciclone começa a perder forças, mas alertam que ainda pode causar ventos forte e chuvas no litoral Sul e Planalto Sul catarinenses e no Nordeste do Rio Grande do Sul.

    O ciclone 1-T Alfa, ou Catarina, havia sido classificado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos como um furacão categoria 1 (com ventos entre 120 e 150 km/h), mas a classificação mudou devido à temperatura no centro.

    Em alto-mar, o Catarina provocou ondas com picos de até cinco metros de altura. Ventos de até 90 km/h atingiram a região do Cabo de Santa Marta no início da noite do sábado, de acordo com a RBS TV. Nas praias do Sul, os ventos sopraram com velocidade máxima de 50 km/h, e as ondas alcançaram até três metros de altura na noite de ontem.

    O ciclone tropical 1-T Alfa deve perder gradualmente intensidade ao longo deste fim de semana, mas o fenômeno necessita de constante acompanhamento devido ao seu potencial de mudanças meteorológicas e por se tratar de primeira ocorrência do tipo no Atlântico Sul. O ciclone extratropical é um tipo raro de tempestade, pois os ventos giram em sentido anti-horário.

  • Redação Terra
     
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