O Catarina provocou ondas com picos de até cinco metros de altura |
Uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida quando, ao buscarem abrigo na BR-101, tiveram seu carro atingido pela queda de uma árvore. De acordo com a Defesa Civil do RS, um homem de 61 anos foi encontrado morto próximo à sua casa no bairro Cortado, em Torres, no RS, provavelmente devido aos fortes ventos e chuvas que atingiram a cidade. A Defesa Civil do RS não confirma a morte de uma criança em Torres. A Defesa Civil de SC havia divulgado que a criança teria morrido com o desabamento de uma casa na cidade gaúcha.
De acordo com o capitão Márcio Luiz, de SC, cinco pessoas estão desaparecidas e há 30 com ferimentos leves no Estado. O capitão disse que ainda não é possível divulgar o número de desabrigados e desalojados porque há problemas de acesso, de comunicação e de fornecimento de energia elétrica.
Segundo a Defesa Civil, a situação no Estado é tranqüila porque o ciclone se dissipou. "Não temos a influência do ciclone ou furacão como foi anunciado", afirmou o capitão. Equipes de socorro da Defesa Civil atuam nas áreas atingidas para garantir a estabilidade.
Ao longo da madrugada, ventos de até 150 km/h atingiram a divisa dos Estados, desde Laguna (SC) até Torres (RS). Quarenta municípios catarinenses foram atingidos. Os mais castigados são Maracajá, Turvo, Meleiro, Araranguá, Arroio do Silva, Sombrio, Imbé do Sul e Ermo. O ciclone também passou pelo município de São Joaquim, na região do planalto serrano, onde causou problemas.
A cidade catarinense de Criciúma foi uma das mais atingidas. Conforme informações do JB Online, cerca de 1,2 mil pessoas ficaram desalojadas. A Defesa Civil está com dificuldade para abrigá-las. Mais de 100 casas foram destelhadas e 20 caíram. Em toda a região, 20 mil residências foram atingidas. A rede elétrica teve 250 transformadores destruídos e mil postes derrubados pela ventania. A energia está sendo restabelecida aos poucos.
A Defesa Civil, que ainda faz o levantamento de dados sobre os estragos, informou que escolas e igrejas deverão abrigar os atingidos. A entidade pede que a população ajude enviando colchões, cobertores e alimentos. A Assembléia Legislativa de Santa Catarina disponibilizou um posto para recolhimento de donativos.
A Base Aérea colocou seis aeronaves à disposição para o resgate e auxílio da população, mas estão impedidas de decolar em razão do forte vento que ainda atinge a região.
BR-101 interditada
Na BR-101, em Santa Catarina, o ciclone causou a morte de um homem que estava dentro de um carro que foi atingido por uma árvore. Cerca de 50 árvores caíram entre Araranguá e Criciúma, no Estado catarinense. A rodovia deve ser evitada por motoristas. De acordo com informações da Defesa Civil, até o meio da tarde a rodovia deve ser liberada. Para sair de Santa Catarina, a alternativa é pegar a BR-116, que está livre nos dois sentidos.
A Marinha brasileira está enviando um navio para a costa catarinense para ajudar nas buscas a cinco pescadores que desapareceram depois que seu barco afundou na área próxima ao Farol de Santa Marta, perto de Laguna. Uma outra embarcação, com 2 pessoas, está à deriva e também é procurada.
Torres decreta estado de emergência
Integrantes da entidade e soldados da Brigada Militar estão nas ruas de Torres socorrendo os desabrigados. De acordo com a Rádio Gaúcha, todos os pontos das cidade foram atingidos e muitas casas de madeira foram completamente destruídas. Cerca de 350 pessoas foram descolacadas para escolas e abrigos. Falta luz e água e não há sinal de telefonia celular. Muitas moradias estão sem telefone fixo.
De acordo com a rádio, o governador do RS, Germano Rigotto, pensou em evacuar a cidade de Torres quando as informações sobre o ciclone foram divulgadas. Ele mudou de idéia ao saber, pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que os ventos não seriam tão intensos.
Ciclone perde forças
Segundo meteorologistas da Epagri/Climerh, o ciclone começa a perder forças, mas alertam que ainda pode causar ventos forte e chuvas no litoral Sul e Planalto Sul catarinenses e no Nordeste do Rio Grande do Sul.
O ciclone 1-T Alfa, ou Catarina, havia sido classificado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos como um furacão categoria 1 (com ventos entre 120 e 150 km/h), mas a classificação mudou devido à temperatura no centro.
Em alto-mar, o Catarina provocou ondas com picos de até cinco metros de altura. Ventos de até 90 km/h atingiram a região do Cabo de Santa Marta no início da noite do sábado, de acordo com a RBS TV. Nas praias do Sul, os ventos sopraram com velocidade máxima de 50 km/h, e as ondas alcançaram até três metros de altura na noite de ontem.
O ciclone tropical 1-T Alfa deve perder gradualmente intensidade ao longo deste fim de semana, mas o fenômeno necessita de constante acompanhamento devido ao seu potencial de mudanças meteorológicas e por se tratar de primeira ocorrência do tipo no Atlântico Sul. O ciclone extratropical é um tipo raro de tempestade, pois os ventos giram em sentido anti-horário.
Redação Terra