Aids: proteína humana seria nova arma de combate

28 de abril de 2008 • 17h41 • atualizado às 20h12

Uma proteína humana poderá abrir um novo caminho para o combate ao retrovírus responsável pela Aids (HIV) neutralizando a resistência do patógeno aos antirretrovirais, segundo trabalhos divulgados nesta segunda-feira nos Estados Unidos.

Os pesquisadores indicam que bloquearam uma infecção com HIV em laboratório desativando uma proteína humana chamada ITK, ativa nos linfócitos T, células imunológicas importantes do organismo.

A maioria dos tratamentos contra a Aids têm como alvo as proteínas do próprio vírus responsável pela infecção. Mas à medida que o HIV realiza várias mutações, estas proteínas mudam rapidamente e geram resistência do vírus aos tratamentos, explicaram estes cientistas, com o estudo está publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS) de 28 de abril.

Estes cientistas descobriram que atuando sobre a proteína ITK (interleukine-2-inducible T cell kinase) podiam bloquear a infecção das células imunológicas humanas pelo HIV. A proteína ITK ativa os linfócitos T no mecanismo normal de resposta imunológica do organismo humano, explicou a doutora Pamela Schwartzberg, do Instituto Nacional norte-americano de Pesquisa sobre o Genoma Humano (NHGRI), principal responsável pela pesquisa.

Contrariamente às proteínas do vírus HIV, a proteína ITK registra poucas mutações, ressaltou, o que explica o recente interesse da comunidade científica pelo desenvolvimento de tratamentos para neutralizá-la.

Tentar contra-atacar o vírus HIV, que muda muito rapidamente, prescrevendo combinações de medicamentos e mudando de tratamentos pode aumentar o risco de efeitos secundários tóxicos e nem sempre há sucesso, ressaltou este médico. Quando o HIV entra no organismo, infecta as células linfocitárias T e toma o controle do mecanismo de defesa, o que permite ao vírus produzir cópias de si mesmo.

A infecção acaba comprometendo o conjunto do sistema imunológico provocando a Aids, a síndrome da imunodeficiência adquirida. Estes trabalhos mostram que se a proteína ITK não estiver ativa, o vírus da Aids não pode usar eficazmente as células linfocitárias T para se reproduzir, o que as deixa mais lentas ou até bloqueia sua propagação.

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