Mamute de 18 mil anos é descoberto na Sibéria

24 de março de 2004 • 15h31 • atualizado às 15h31

Os restos de um mamute de mais de 18 mil anos de idade foram localizados em setembro passado na Sibéria por uma expedição franco-russa. A descoberta, revelada hoje em Paris, compreende principalmente a cabeça bem preservada e uma pata quase intacta do animal.

Este anúncio foi feito no Museu Nacional de História Natural por Bernard Buigues, diretor das expedições Cerpolex/Mammuthus, responsáveis pela descoberta, e os paleontólogos Yves Coppens, do Colégio da França, e Dick Mol, do Museu de História Natural de Roterdã (Holanda).

O animal foi descoberto em novembro 2002 por um caçador russo de renas da região de Yukagir, Vassili Gorojov, após ser alertado por seus filhos que tinham visto uma presa que emergia da orla de um rio. Após retirá-la, o caçador descobriu a segunda presa, e depois o crânio do qual saiam os dentes.

Gorojov decidiu vender seu precioso troféu na cidade de Yakutsk. A notícia chegou a Bernard Buigues, organizador de expedições polares através de sua empresa Cerpolex, além de realizar buscas dessas criaturas pré-históricas para colocá-las à disposição da ciência.

Para isso, criou um comitê científico, Mammuthus, dirigido pelo professor Coppens, célebre por seus trabalhos sobre os ancestrais do homem e especialista em mamutes. "Quando vi a cabeça, fiquei estupefato", conta Buigues, que viajou a Yakutsk, acrescentando que "nem na literatura ou nos museus, nunca tinha visto um fóssil tão bem conservado".

Desde o início do século XIX, só meia dúzia de mamutes "em carne e osso" foram encontrados. O cientista francês comprou o fóssil por 25 mil euros, guardou-o no museu de Yakutsk e organizou uma expedição para recuperar o resto do animal, que recebeu o nome da região onde foi descoberto, Yukagir, no norte da Sibéria.

Os homens retiraram um omoplata, uma parte da coluna vertebral, várias costelas, uma pata coberta por pele e cabelos, uma parte do estômago, do intestino e da pele, mas com a chegada do inverno (hemisfério norte) o trabalho foi suspenso, sendo retomado durante o verão (boreal) próximo. No entanto, Dick Mol, coordenador científico do Mammuthus, não hesita em destacar que esta é uma "descoberta excepcional graças à variedade de material conservado, principalmente pela presença de tutano em seus ossos.

O exame do fóssil revela que se trata de um macho de 40 anos, morto há 18,56 mil anos. Como de costume após uma descoberta deste tipo, muitas pessoas perguntam sobre a possibilidade de ser reviver um dia os mamutes através de clonagem ou por fecundação artificial de uma elefanta com esperma do paquiderme pré-histórico.

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