Arqueólogos do Egito e dos EUA concluíram o difícil trabalho de restaurar pela primeira vez e em seu próprio túmulo um sarcófago pertencente ao faraó Ramsés VI, no famoso Vale dos Reis, na cidade turística de Luxor.
A reconstrução do sarcófago, realizada por especialistas do Conselho Supremo de Antigüidades (CSA) do Egito e do Centro Americano de Pesquisa, foi anunciada hoje em uma cerimônia celebrada no interior do túmulo, na margem ocidental do rio Nilo, 670 quilômetros ao sul de Cairo.
"Esta é a primeira vez que um sarcófago do Novo Império (1539-1075 a.C.) foi restaurado e exibido dentro de seu próprio túmulo", disse o ministro da Cultura egípcio, Faruk Hosni, que acompanhou dezenas de jornalistas e egiptólogos em um tour pelo lugar. "Agora, os visitantes poderão contemplar um dos últimos vestígios que acompanharam o rei Ramsés VI em seu túmulo", acrescentou.
A recomposição do sarcófago foi o resultado de um trabalho que uniu mais de 250 fragmentos que gradualmente devolveram a forma e o tamanho original ao sarcófago que só tem metade de sua cobertura já que os pedaços da parte inferior ainda não foram encontrados, explicou. O túmulo de Ramsés VI foi muito conhecido e visitado na antigüidade, como testemunham as numerosas inscrições que há em suas paredes.
O significado das pinturas murais do túmulo, que conservaram suas esplêndidas cores, entre as quais predominam o vermelho e o amarelo, é uma análise das origens do céu, da terra e da criação do sol, da luz e da vida, segundo disse Mohamed Hasanen, arqueólogo egípcio.
A construção do mausoléu, escavado na rocha de um dos montes do Vale dos Reis, começou no ano 1145 a.C. e correu sob as ordens do faraó Ramsés V, que morreu jovem, um ano depois de chegar ao trono.
Seu sucessor e tio, Ramsés VI, o quinto rei da XX dinastia (1156-1145 a.C.), e que governou cinco anos, ampliou o túmulo convertendo-o em um dos maiores dos faraós do Império Novo.
O mausoléu é composto por uma série de salas conectadas por um corredor de cem metros de comprimento que termina na câmara funerária, que tem uma profundidade de 45 metros.
Hosni, acompanhado pelo secretário-geral do CSA, Zahi Hawas, foi à zona de Qom el Hitan, próxima ao Vale dos Reis, para anunciar a descoberta de uma estátua de um hipopótamo de grande tamanho que havia sido encontrada e novamente enterrada em 1970 que acaba de ser detectada por uma missão arqueológica européia.
A estátua tem 130 centímetros de altura, 118 de comprimento e 73 de largura, "o que faz dela a primeira desse tamanho descoberta no país dos faraós", assegurou Hawas.
Outras restaurações
Além do túmulo e da estátua, Hosni e Hawas anunciaram também o termo dos trabalhos de restauração no templo de Seti I, construído na antiga aldeia de Qurna por este faraó, segundo da XIX dinastia, e dedicado a seu pai, Ramsés I, e ao Deus Amon-Ra.
Por outra parte, ambos responsáveis egípcios disseram que em abril será aberta ao público uma nova sala do museu Arqueológico de Luxor, na qual serão exibidas as múmias do faraó Ahmos I, primeiro rei da XVIII dinastia, e Ramses I, fundador da XIX dinastia.
Na nova sala serão exibidas, além disso, 140 peças do Exército faraônico do Império Novo, que incluem espadas, punhais, escudos, flechas e um carro de combate, entre outros instrumentos bélicos.
EFE
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Ramsés VI no túmulo em Luxor
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