Cosipa é empresa que mais emite CO2 em SP

23 de abril de 2008 • 17h13 • atualizado às 17h54

A Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) é a primeira da lista das 100 maiores empresas emissoras de gases geradores de efeito estufa do Estado de São Paulo, segundo divulgou a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

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O levantamento foi apresentado pelo secretário Francisco Graziano Neto, durante reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), na sede da secretaria em São Paulo.

A siderúrgica é responsável pela emissão de 6,35 milhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono de origem fóssil) por ano. As refinarias Replan, Revap e RPBC, do grupo Petrobras, aparecem na sequência. A Replan, que produz diversos derivados do petróleo, emite, segundo dados da secretaria, 3,12 milhões toneladas de CO2 por ano.

A Petroquímica União (PqU) é a quinta colocada com 1,46 milhão de toneladas do gás por ano. As primeiras oito colocadas no ranking respondem por 18,26 milhões de toneladas por ano, ou 63% do total.

A Cosipa informou que deve divulgar uma nota ainda hoje. A Petrobras afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, "que a empresa ainda não tomou conhecimento de todas as informações contidas no relatório e vai se pronunciar assim que possível". E a PqU não quis se pronunciar imediatamente.

Para realização do levantamento foram selecionadas 371 empresas com maior potencial de emissão do gás. Destas 329 responderam voluntariamente a uma avaliação aplicada pela secretaria a partir de critérios do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC), considerando o consumo de combustível e a produção industrial informados pela empresa.

A proposta de realização do inventário surgiu por sugestão do ex-secretário de Meio Ambiente José Goldemberg. "A lista não é um instrumento de punição, mas dá condições de engajar a Cetesb em negociações com esses emissores para acordos voluntários", disse Goldemberg nesta manhã.

Nelson Reis, representante da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), declarou que o setor tem sido proativo na questão das mudanças climáticas. "O fornecimento voluntário das informações é uma mostra da transparência que a indústria trata do tema", disse.

Segundo Graziano, o investimento em eficiência energética e em novos processos de tecnologia de produção são caminhos que as indústrias deverão começar a seguir para reduzir as emissões. "Imagino que no setor empresarial, ninguém mais duvida de que essa é a agenda", disse. "Na competição global, é fazer ou fazer. Na Europa, o consumidor já escolhe o carro considerando a emissão de CO2".

O CO2, muito confundido com o CO (monóxido de carbono), não é considerado um poluente. Seus efeitos estão relacionados ao aquecimento global. A indústria é responsável por um terço da emissão do gás. Os outros dois terços têm origem em setores como comércio, transporte, energia, em aterros sanitários e domicílios.

Segundo Marcelo Minelli, diretor de engenharia, tecnologia e qualidade ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, está sendo produzido um levantamento para identificar os maiores emissores nos outros setores, que deve levar de dez a 12 meses para ser concluído.

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